Gleisi Hoffmann rebate recomendação do TCU sobre corte de verba para escola de samba
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, manifestou forte crítica à recomendação de técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) para suspender o repasse de R$ 1 milhão da Embratur à escola de samba Acadêmicos de Niterói. O valor, destinado ao desfile no Carnaval 2026, faz parte de um termo de colaboração com a Liesa para promover o turismo internacional, mas foi questionado devido à homenagem que a escola prestará ao presidente Lula.
Conflito entre política e cultura no Carnaval
A petista classificou a orientação dos auditores como “preconceito”, argumentando que a Embratur sempre financiou a Liesa e que a decisão da liga segue seus próprios critérios artísticos. No entanto, os técnicos do TCU alertam que o repasse pode configurar promoção pessoal de uma autoridade pública, especialmente considerando a perspectiva de Lula concorrer à reeleição neste ano, o que feriria o interesse público.
Riscos legais e processo em análise
O relatório técnico do tribunal aponta riscos de nulidade do contrato e possível ressarcimento aos cofres públicos. A representação foi provocada por parlamentares do Novo, que chegaram a sugerir a proibição do desfile, mas o técnico responsável rejeitou a ideia por entender que violaria a liberdade de expressão.
O processo ainda aguarda análise do ministro do TCU, Aroldo Cedraz, sem data definida para deliberação. O auditor sugeriu um prazo de 15 dias para que Embratur, Liesa e a escola se manifestem, o que, se acatado, faria com que as respostas só fossem enviadas após o Carnaval.
Desfile segue programado apesar da polêmica
Enquanto isso, o desfile da Acadêmicos de Niterói, marcado para o domingo, dia 15, na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, segue programado normalmente. A escola já havia gerado controvérsia ao exibir um telão com provocações ao ex-presidente Bolsonaro em ensaio aberto, intensificando o debate sobre o uso de recursos públicos em eventos culturais com conotações políticas.
Este caso destaca a tensão entre financiamento cultural e regulamentação pública, levantando questões sobre como autoridades devem agir em contextos onde arte e política se entrelaçam, especialmente em um evento de grande visibilidade como o Carnaval.



