Futuro político do Rio nas mãos do STF sem previsão de desfecho
Futuro político do Rio nas mãos do STF sem previsão

Futuro político do Rio de Janeiro permanece indefinido nas mãos do Supremo Tribunal Federal

O cenário político do estado do Rio de Janeiro encontra-se em suspenso, aguardando definições do Supremo Tribunal Federal que não possuem previsão concreta para ocorrer. A eleição indireta que escolherá o sucessor do governador Cláudio Castro tende a ser convocada enquanto vigora a liminar do ministro Luiz Fux, que modificou regras fundamentais do processo e eliminou candidatos que despontavam como favoritos.

Liminar de Fux altera regras e exclui principais nomes

O ministro Luiz Fux estabeleceu que a votação na Assembleia Legislativa precisa ser secreta e determinou que apenas podem participar da eleição indireta candidatos que tenham deixado cargos no Executivo há pelo menos seis meses. Com essas mudanças, figuras políticas importantes como Douglas Ruas e Nicola Miccione, ambos secretários do governo Castro, além do ex-deputado estadual André Ceciliano, secretário de Assuntos Legislativos do governo federal, correm sério risco de ficar completamente fora da disputa.

A decisão do ministro é liminar, portanto provisória, mas foi o próprio Fux quem optou por submetê-la a referendo do plenário do STF. Contudo, esse julgamento só ocorrerá quando for analisado o mérito do processo, o que ainda não tem data marcada. Até lá, a liminar permanece válida, exceto se o relator solicitar um julgamento em regime de urgência, possibilidade que atualmente não apresenta perspectiva de concretização.

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Processo judicial enfrenta etapas burocráticas prolongadas

Para que o STF possa julgar o mérito da controvérsia, o processo precisa atravessar a fase de instrução, que neste caso específico depende de informações a serem prestadas pela Assembleia Legislativa do Rio dentro de dez dias. Posteriormente, a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República terão cinco dias para emitir pareceres após a manifestação da Alerj.

Essa sequência burocrática significa que dificilmente o Supremo Tribunal Federal conseguirá julgar o caso ainda neste mês. Consequentemente, a eleição indireta tende a ser convocada enquanto a liminar de Fux permanece em vigor, especialmente considerando que Cláudio Castro deve deixar o governo até a próxima segunda-feira e a eleição precisa ser convocada em até 48 horas após sua saída.

Contexto político e motivações por trás da disputa

O governador Cláudio Castro antecipou sua renúncia para evitar o desgaste político de uma eventual cassação no Tribunal Superior Eleitoral, que na próxima semana julgará se ele cometeu abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Atualmente, há dois votos pela condenação do governador no TSE.

O assunto chegou ao STF através do PSD, partido do prefeito carioca Eduardo Paes, que é pré-candidato ao governo estadual. Paes possui interesse direto na eleição indireta porque não deseja que Douglas Ruas, seu adversário político, assuma o mandato-tampão e, com isso, obtenha uma vitrine significativa para as eleições de outubro.

A eleição-tampão será definida na Assembleia Legislativa, onde o PL detém maioria suficiente para emplacar Douglas Ruas. Os próprios deputados estaduais haviam aprovado a votação aberta, mas Fux justificou em sua decisão que o voto deve ser secreto "em decorrência da gravidade da situação da segurança pública" no Rio de Janeiro.

Fundamentação jurídica da decisão ministerial

Em sua análise, o ministro Luiz Fux argumentou que "não é possível conceber um cenário de plena liberdade de escolha pelos membros do Parlamento local nas eleições indiretas com escrutínio aberto, pois estariam sujeitos a retaliações violentas e toda a sorte de constrangimentos externos".

Quanto aos prazos de desincompatibilização, Fux considerou que a eleição indireta deve obedecer às mesmas regras estabelecidas para eleições diretas na Lei da Inelegibilidade. Segundo sua decisão, "o caráter excepcional ou inesperado da dupla vacância não afasta a indevida influência do poder político que se almeja obstaculizar por meio das hipóteses de inelegibilidade".

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Após a conclusão do processo no STF, Fux precisará liberá-lo para julgamento. Em seguida, caberá ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo, encaixar o caso na pauta, seja no plenário físico ou no virtual, mantendo a incerteza sobre quando efetivamente ocorrerá a definição final deste processo que determina o futuro político do Rio de Janeiro.