Flávio Bolsonaro assina pedido de CPMI do Master e quer investigar Galípolo, mas não Campos Neto
Flávio Bolsonaro assina CPMI do Master e mira Galípolo

Flávio Bolsonaro assina pedido de CPMI do Master e amplia alvos de investigação

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, que assinou um pedido para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar supostas relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A iniciativa também busca apurar possíveis responsabilidades no escândalo envolvendo a instituição financeira.

Foco em Galípolo e ausência de Campos Neto

O parlamentar afirmou que pretende incluir nas apurações o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, mas não mencionou o ex-presidente da autoridade monetária Roberto Campos Neto, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro (PL). Informações reveladas no curso da investigação sobre o Banco Master apontam que relatórios preparados por servidores do Banco Central influenciaram a análise da situação da instituição durante a gestão de Roberto Campos Neto.

De acordo com reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico, documentos elaborados por técnicos que posteriormente passaram a ser investigados por suposta atuação em benefício do controlador do banco, Daniel Vorcaro, ajudaram a afastar, naquele momento, a possibilidade de liquidação do Master.

Ampliação do escopo investigativo

Em publicação nas redes sociais, Flávio Bolsonaro declarou ter apoiado a instalação de uma investigação parlamentar voltada às condutas de integrantes do STF. "Assinei hoje mais uma CPI para investigar as condutas dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli", escreveu o senador. "Antes dessa, já havia assinado o pedido de CPI do Banco Master, além de pedidos de impeachment de outros ministros e vou assinar qualquer outro pedido que vise investigar suspeitas de crimes ou irregularidades".

O parlamentar também afirmou que pretende ampliar o escopo das investigações parlamentares. "Informo ainda que vou requerer a ampliação da investigação da CPI, para incluir o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, pois o escândalo do Banco Master ocorreu debaixo do nariz deles, com fortes suspeitas de atuação para que as fraudes ocorressem", acrescentou. "Toda e qualquer suspeita tem que ser investigada, não importa contra quem seja!".

Investigações da Polícia Federal

As suspeitas relacionadas ao Banco Master vieram a público a partir de informações reunidas pela Polícia Federal (PF) durante as investigações sobre o caso. O material analisado pelos investigadores também aponta possíveis irregularidades associadas à instituição financeira.

Segundo as apurações conduzidas pela PF, as práticas sob investigação podem ter provocado um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade responsável por ressarcir investidores em situações de quebra ou insolvência de instituições financeiras.

Daniel Vorcaro e as ameaças investigadas

As investigações indicam ainda que Daniel Vorcaro já havia sido alvo de uma ordem de prisão no ano anterior. Na ocasião, o empresário obteve liberdade provisória mediante a utilização de tornozeleira eletrônica. A nova determinação de prisão teve como base mensagens encontradas no telefone celular do banqueiro, aparelho apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero.

De acordo com os investigadores, o conteúdo das conversas analisadas indicaria ameaças dirigidas a jornalistas e também a pessoas que teriam contrariado interesses do empresário. Entre os episódios mencionados nas investigações, a Polícia Federal afirma que Vorcaro teria feito ameaças contra o jornalista Lauro Jardim e também contra uma empregada doméstica.

Ocultamento de recursos e acesso indevido

As apurações indicam ainda que o banqueiro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro. Além disso, segundo a PF, o empresário teria acessado de forma indevida sistemas pertencentes a diferentes instituições.

Entre as plataformas citadas pelos investigadores estão sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF), do FBI e da Interpol.

Defesa de Daniel Vorcaro

Em comunicado divulgado por meio de sua assessoria, Daniel Vorcaro afirmou que as mensagens atribuídas a ele foram interpretadas de forma equivocada e retiradas de contexto. O empresário sustenta que sempre manteve uma relação institucional com veículos de comunicação e profissionais da imprensa ao longo de sua carreira.

No comunicado, o banqueiro declarou que "jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto". Ele acrescentou ainda: "Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas".

No mesmo posicionamento, Vorcaro também comentou o teor das conversas citadas nas investigações. Segundo ele, eventuais manifestações mais enfáticas teriam ocorrido em caráter privado e não tiveram o objetivo de intimidar qualquer pessoa. O empresário afirmou: "Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência".