Deputado denuncia blindagem a Flávio Bolsonaro após cancelamento de sessão da CPMI do INSS
Deputado denuncia blindagem a Flávio Bolsonaro na CPMI do INSS

Deputado acusa tentativa de blindagem a aliados de Bolsonaro após cancelamento de sessão da CPMI

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) denunciou publicamente nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, uma possível manobra para proteger figuras ligadas ao bolsonarismo. A acusação surgiu após o cancelamento em cima da hora de uma reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que estava prevista para o mesmo dia.

Justificativa de saúde do relator é questionada

Em publicação nas redes sociais, Correia contestou a justificativa apresentada para o adiamento da sessão. O motivo oficial foi um problema de saúde do relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), diagnosticado com sinusite. No entanto, o parlamentar petista argumentou que condições regimentais permitiriam a realização da reunião, uma vez que a pauta incluía votações de requerimentos que poderiam ser conduzidas por um suplente do relator.

"Para uma sessão deliberativa, para aprovar requerimentos, não tinha necessidade da presença do relator, o suplente dele poderia assumir e votar", escreveu Correia em seu perfil no X (antigo Twitter). O deputado destacou que o cancelamento ocorreu quando o convidado para prestar esclarecimentos, Rodrigo Ortiz D'Ávila Assumpção, presidente da Dataprev, já estava presente no local, assim como o advogado Cecílio Galvão, que também teria seu depoimento adiado.

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Requerimentos sensíveis envolvendo bolsonaristas

Correia revelou que entre os 18 requerimentos que seriam votados na sessão cancelada, estavam pedidos particularmente sensíveis. Estes incluíam a convocatória e quebra de sigilo de pessoas ligadas a investigações que alcançam aliados do bolsonarismo. Especificamente, seriam analisados requerimentos para convocar uma sócia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Fabiano Zettel.

Em tom crítico, o deputado fez referência a conexões com o chamado "Careca do INSS" e mencionou que documentos obtidos por meio de quebras de sigilo já em curso citariam outros nomes ligados ao bolsonarismo. "É bom lembrar que documentos da quebra de sigilo incriminam vários bolsonaristas, como Ciro Nogueira e o próprio Nikolas Ferreira", afirmou Correia.

Ironia sobre as justificativas

O parlamentar não poupou ironias ao comentar o motivo do cancelamento. "Essa doença da cúpula da CPMI tá com mais cara de 'Zettelite' e 'Vorcarite' aguda", escreveu, fazendo referência a Fabiano Zettel e Daniel Vorcaro, este último proprietário do Banco Master e investigado por suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Quem é Fabiano Zettel?

Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, é apontado nas investigações como possível operador financeiro na estrutura sob escrutínio. Além de suas atividades financeiras, Zettel atua como pastor da Igreja Lagoinha e figurou entre os maiores doadores pessoa física do país nas eleições de 2022. Ele foi o sexto maior doador daquele pleito e o principal financiador individual das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e de Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo.

Próximos passos da comissão

Com o cancelamento da sessão, todas as 18 deliberações previstas foram adiadas. A CPMI do INSS ainda não informou quando os depoimentos do presidente da Dataprev e do advogado Cecílio Galvão serão reagendados, deixando em suspenso investigações que, segundo o deputado Rogério Correia, poderiam avançar sobre figuras centrais do bolsonarismo.

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