Vereadores do Recife protocolam CPI para investigar prefeito João Campos por suposto tráfico de influência
CPI investiga prefeito do Recife por tráfico de influência e nepotismo

Vereadores do Recife protocolam CPI para investigar prefeito João Campos por suposto tráfico de influência e nepotismo

Um grupo de vereadores protocolou, nesta segunda-feira (2), a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o prefeito do Recife, João Campos (PSB), por suposto tráfico de influência e nepotismo após a alteração do resultado de um concurso público para procurador do município. O requerimento foi encaminhado com a assinatura de 13 vereadores, número mínimo necessário para a instalação da comissão.

Denúncia envolve mudança em concurso público

Segundo a denúncia, um advogado aprovado nas vagas para pessoas com deficiência (PCD) deixou de ser nomeado e, no lugar dele, foi convocada outra pessoa, filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO) e de um juiz que arquivou um processo envolvendo a prefeitura por suspeita de corrupção. A prefeitura do Recife informou que "todas as informações já foram amplamente apresentadas, cumprindo com a lei" e que o caso se trata de "uma disputa administrativa entre dois candidatos PCDs".

A gestão municipal disse ainda que "causa estranheza que se busque transformar uma questão já devidamente esclarecida em um novo palco de debate político". No início deste ano, o caso motivou um pedido de impeachment, que foi rejeitado em votação no plenário da Câmara Municipal.

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Objetivos da CPI e tramitação do processo

A Câmara Municipal do Recife informou que o documento foi protocolado e "tramitará conforme o Regimento Interno da Casa". Após ser encaminhado à Mesa Diretora, o pedido será avaliado pela Procuradoria da Câmara. Depois disso, a Presidência da Casa vai instalar a CPI, que será formada por sete membros, de acordo com a representatividade dos partidos.

Segundo o requerimento, a CPI tem como objetivo investigar:

  • A legalidade do processo administrativo que resultou na mudança do resultado do concurso
  • A responsabilidade do prefeito, do procurador-geral do município e de outros agentes públicos envolvidos
  • Indícios de tráfico de influência e nepotismo transverso
  • A suposta interferência política direta na cúpula do Poder Executivo
  • Possível desvio de finalidade

Detalhes do caso que motivou a investigação

Em janeiro deste ano, o prefeito João Campos se tornou alvo de um pedido de impeachment protocolado pelo vereador Eduardo Moura (Novo), após a modificação do resultado de um concurso público para procurador municipal, ocorrido em 2022. No certame, o advogado Marko Venício dos Santos Batista, aprovado nas vagas para pessoas com deficiência (PCD), deixou de ser nomeado.

Em seu lugar, foi aprovado Lucas Vieira Silva, que fez a seleção sem optar pelas vagas afirmativas, mas pediu reinscrição no concurso após receber, dois anos depois da homologação, em junho de 2023, diagnóstico de autismo. Lucas Vieira Silva havia se inscrito nas vagas de ampla concorrência, mas ficou em 63º lugar.

Ele é filho do juiz Rildo Vieira da Silva, da Vara dos Crimes Contra a Administração Pública e a Ordem Tributária do Recife, e de Maria Nilda Silva, procuradora do MPCO. Conforme a denúncia, o pai do candidato nomeado foi promovido em outubro de 2025 para a Vara Regional de Crimes Contra a Administração Pública, Ordem Tributária, Lavagem de Dinheiro e de Delitos de Organizações Criminosas da Capital.

A promoção ocorreu no mesmo mês em que a vaga foi aberta na Procuradoria após a aposentadoria de um dos procuradores. Conforme o pedido de impeachment, esse mesmo magistrado foi responsável por arquivar um processo referente à Operação Barriga de Aluguel, do Ministério Público, que investiga uma quadrilha suspeita de desviar recursos públicos destinados à recuperação e manutenção predial, com contratos que somam mais de R$ 100 milhões.

Desfecho anterior e votação do impeachment

Após a repercussão do caso, o prefeito João Campos voltou atrás e, no dia 6 de janeiro deste ano, o candidato inicialmente aprovado tomou posse do cargo de procurador judicial do município. No dia 3 de fevereiro, o processo de impeachment foi votado na Câmara Municipal do Recife.

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O requerimento precisava de votos favoráveis da maioria simples dos 37 vereadores que compõem a Casa de José Mariano. Entretanto, não obteve a quantidade necessária e, com isso, foi arquivado. Foram nove votos a favor, 25 contrários e uma abstenção, da vereadora do PSOL Jô Cavalcanti. Não votaram Agora é Rubem (PSB) e Flávia de Nadegi (PV).

Os vereadores que assinaram o requerimento da CPI são: Thiago Medina (PL), Gilson Machado Filho (PL), Felipe Alecrim (Novo), Alef Collins (PP), Eduardo Moura (Novo), Alcides Teixeira Neto (Avante), Fred Ferreira (PL), Paulo Muniz (PL), Agora é Rubem (PSB), Flávia de Nadegi (PV), Osmar Ricardo (PT), Jô Cavalcanti (PSOL) e Davi Muniz (PSD).