Corrupção volta ao centro da disputa eleitoral de 2026 com escândalos do Master e INSS
Corrupção volta ao centro da disputa eleitoral de 2026

Corrupção ressurge como tema central para as eleições de 2026

O combate à corrupção, uma chaga histórica no Brasil, volta a dar o tom nas eleições de 2026, liderando as preocupações dos eleitores em novas pesquisas. Embarcado pelas investigações do Banco Master e das fraudes no INSS, o tema ressurge com força na arena eleitoral, criando um embate político acirrado onde ambos os lados possuem fragilidades históricas.

Pesquisas destacam a preocupação dos eleitores

Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada recentemente mostra que a corrupção é a questão mais preocupante para 20% dos eleitores, ficando atrás apenas da violência e à frente de problemas sociais, economia, educação e saúde. Levantamento da AtlasIntel de fevereiro trouxe o tema em primeiro lugar, acima da violência, invertendo as posições do primeiro semestre de 2025, quando o escândalo das aposentadorias havia acabado de vir à tona.

O episódio atingiu em cheio a popularidade do governo e arrastou para o lamaçal político o irmão do presidente, Frei Chico, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula, suspeito de ser sócio oculto do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, chefe do esquema.

Estratégias de ataque e defesa

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) iniciou o embate eleitoral enfileirando posts em suas redes sociais ligando as suspeitas de Lulinha ao pai, inclusive a movimentação de 19 milhões de reais do filho em quatro anos, revelada após a quebra do sigilo bancário. Do outro lado, a estratégia petista é semelhante, carimbando na testa do adversário a pecha de corrupto, com munição que inclui escândalos como a investigação sobre rachadinha em seu gabinete quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Apesar disso, o PT prepara sua artilharia pesada contra Flávio, mas opta por não usá-la agora, visando adiar ao máximo o embate direto e lidar com questões mais urgentes que possam melhorar a avaliação do mandato. A batalha aberta deve ocorrer a partir de abril, quando tiverem terminado os prazos eleitorais para filiações e desincompatibilizações.

Contexto histórico e desafios atuais

De tempos em tempos, o combate à corrupção volta a dar o tom nas eleições, como visto em 1960 com Jânio Quadros, em 1989 com Fernando Collor, e mais recentemente em 2018 com Jair Bolsonaro, alavancado pela Lava-Jato. No entanto, a ascensão do tema assusta o petismo, que enfrenta um desgaste por conta do acúmulo de escândalos como o mensalão e a Lava-Jato, e a prisão de figuras históricas do partido, incluindo Lula.

O cientista político Eduardo Grin pontua que o PT perdeu sua aura de última reserva moral para defender a administração pública e agora enfrenta uma oposição mais competente. Além disso, a sucessão de escândalos pode criar um clima antissistema que já ajudou Bolsonaro em 2018.

Impacto e perspectivas futuras

O embate político em torno da corrupção tem resultado incerto, dependendo da evolução dos escândalos, dos nomes envolvidos e das estratégias de cada lado. Flávio argumentará que as suspeitas contra ele foram arquivadas, enquanto o PT destacará que os escândalos estão sendo desmantelados porque o atual governo fortalece instituições como a Polícia Federal.

No entanto, como observa Roberto Livianu, procurador de Justiça, ambos os lados se notabilizaram como alas que sabotaram o combate à corrupção, sem moral nem legitimidade para falar em enfrentamento. O Índice de Percepção da Corrupção de 2025 foi o segundo pior da história do Brasil, destacando a gravidade do problema.

Com eleições previstas para serem tão acirradas quanto em 2022 e 2018, e Lula e Flávio empatados em pesquisas, a corrupção merece um palco mais nobre de discussão no debate eleitoral de 2026, longe do ringue da lama, para abordar seus efeitos perversos na inviabilização de políticas públicas.