Cleitinho, cotado por Flávio Bolsonaro em MG, gera crise com bolsonaristas após críticas a Trump e militares
Cleitinho gera crise com bolsonaristas após críticas a Trump e militares

Senador cotado por Flávio Bolsonaro em Minas Gerais provoca racha com base aliada após declarações polêmicas

O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, cotado para ser o candidato de Flávio Bolsonaro na disputa pelo governo de Minas Gerais, se indispôs com bolsonaristas nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, após criticar publicamente declarações do presidente americano Donald Trump sobre o Irã e defender o fim das pensões para filhas solteiras de militares. As posições do parlamentar geraram forte reação nas redes sociais e expuseram fissuras internas na base aliada, levantando dúvidas sobre sua viabilidade como candidato na chapa bolsonarista.

Críticas a Donald Trump geram onda de indignação entre apoiadores

Em um vídeo publicado em suas redes sociais, onde possui milhões de seguidores, Cleitinho Azevedo reagiu com veemência às declarações de Donald Trump sobre a guerra no Irã. "Uma civilização inteira morrerá esta noite para nunca mais ser ressuscitada, diz Trump sobre Irã. Eu espero que Trump esteja blefando", afirmou o senador, acrescentando: "Agora, matar uma nação inteira? Matar inocentes? Eu espero que ele esteja blefando e eu espero que todos os líderes políticos do mundo inteiro repudiem essa fala do Trump. Inocentes não podem morrer pelos pecadores. Ele está procurando aqui, se isso for verdade, pela terceira guerra mundial".

As críticas ao líder americano, considerado uma figura de referência internacional para a família Bolsonaro, provocaram imediata reação negativa de eleitores bolsonaristas. Nos comentários do vídeo, perfis aliados expressaram descontentamento, com mensagens como "Liderança de direita de Minas Gerais, pelo amor de Deus, arrumem um candidato que não seja este" e "Cleitinho faz dias que quer virar esquerdista". Outro usuário comparou o senador ao deputado André Janones, escrevendo: "Novo Janones na área, que decepção".

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Defesa inesperada vem do deputado Otoni de Paula

Diante dos ataques, o deputado federal e pastor Otoni de Paula, do PSD do Rio de Janeiro, que já declarou apoio a Ronaldo Caiado para a Presidência da República, saiu em defesa de Cleitinho Azevedo. Em publicação nas redes sociais, Otoni escreveu: "Presto minha solidariedade ao senador Cleitinho diante dos ataques que tem sofrido por se posicionar contra as ameaças genocidas de Donald Trump (ainda que não cumpridas) ao povo iraniano. Não é possível que o que caracteriza um político ser de direita é ser um lambedor de botas do presidente americano".

O religioso completou sua defesa argumentando: "Essa subserviência a Trump mostra que o bolsonarismo se indigna tão seletivamente como aqueles que eles criticam. Se a mesma fala fosse contra Israel haveria indignação, mas se é contra a população iraniana pode. Não confundam a tirania do regime dos aiatolás com a população do Irã".

Posição sobre pensões militares amplia a polêmica

Também nesta quarta-feira, Cleitinho Azevedo defendeu no plenário do Senado uma medida que afeta diretamente um dos principais grupos de apoio aos Bolsonaro: os militares. O senador, que já havia se manifestado contra a jornada de trabalho 6×1, passou a criticar a pensão concedida pelo Estado a "filhas solteiras de militares que nunca trabalharam na vida".

"Essa mamata vai acabar. O primeiro corte de gastos que tem que vir é este aqui", declarou Cleitinho enquanto segurava uma placa informando que o gasto com tal pensão alcançou 6 bilhões de reais em 2025. A declaração gerou nova onda de críticas, com eleitores bolsonaristas chamando o parlamentar de "socialista" e "arrogante" nos comentários de suas publicações.

Histórico de atritos com a base bolsonarista

Esta não é a primeira vez que Cleitinho Azevedo se indispõe com bolsonaristas. O senador mineiro, que apoiou Jair Bolsonaro e atualmente apoia Flávio Bolsonaro, já se posicionou contra outras bandeiras desse grupo político e também já elogiou decisões do governo Lula, conforme abordado em reportagens anteriores. As lideranças do bolsonarismo, no entanto, mantiveram silêncio sobre as recentes declarações do parlamentar, sem comentários públicos que possam indicar uma ruptura formal ou apoio contínuo.

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A situação coloca em xeque a estratégia política de Flávio Bolsonaro para Minas Gerais, um estado crucial nas eleições, e revela as tensões internas que permeiam a base aliada em um momento de definições importantes para o cenário eleitoral brasileiro.