Tragédia das chuvas em Minas vira palco de campanha eleitoral com visitas de presidenciáveis
Chuvas em Minas viram palco de campanha eleitoral com presidenciáveis

Tragédia das chuvas em Minas Gerais se transforma em cenário político em ano eleitoral

As fortes chuvas que devastaram a Zona da Mata mineira ao longo desta semana transformaram-se rapidamente em um palco político, atraindo diversos candidatos às eleições presidenciais de 2026 para a região afetada pela tragédia. Até a tarde desta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, o Corpo de Bombeiros já havia confirmado mais de sessenta mortes nas cidades de Juiz de Fora e Ubá, com milhares de desabrigados e dezenas de desaparecidos ainda sendo buscados sob os escombros.

Visitas de presidenciáveis geram críticas e protestos

Na última terça-feira, 24 de fevereiro, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, visitou Juiz de Fora acompanhado do vice Mateus Simões (PSD). No dia seguinte, Zema seguiu para Ubá, onde gravou vídeos para redes sociais em meio ao lamaçal e ouviu duras críticas de moradores. "Não adianta vir aqui limpinho pra fazer política", declarou uma residente local durante a visita do governador, reclamando da falta de maquinário para limpar a cidade.

Também ao longo da semana, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) esteve na região, sobrevoando a Zona da Mata de helicóptero e conversando com moradores em áreas alagadas. Em Ubá, o parlamentar realizou uma ligação por vídeo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, mostrando os estragos da tragédia através do telefone. "Tá precisando de muita força humana, tem que ter homem pra vir aqui trabalhar", disse Ferreira ao senador durante a transmissão.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Críticas à politização da tragédia

Assim como Zema, Nikolas Ferreira foi recebido com protestos em algumas áreas, sendo acusado de tumultuar o trânsito local e atrapalhar os trabalhos das equipes de emergência durante a retirada de escombros e buscas por sobreviventes. Em vídeo que circula na internet, um morador de Ubá afirma: "Sabe por que está tudo parado desse jeito? Por conta do Nikolas, está aqui no meio da obra, fazendo videozinho para o TikTok dele".

Lula agenda visita após retorno dos Emirados Árabes

Por sua vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à reeleição em 2026, confirmou nesta sexta-feira que visitará Juiz de Fora no sábado, 28 de fevereiro, para acompanhar os trabalhos de emergência. O petista estava nos Emirados Árabes Unidos quando a crise começou a escalar, mas já havia ligado para a prefeita juizforana Margarida Salomão (PT) para articular o envio de equipes do governo federal.

Na terça-feira, 24 de fevereiro, já haviam visitado Juiz de Fora o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Goés, acompanhado do secretário nacional de Defesa Civil, Wolnei Wolff. Ao lado de Zema e Margarida Salomão, ambos anunciaram a liberação emergencial de recursos para a cidade, que havia decretado calamidade pública na mesma madrugada.

Balanço trágico e situação de emergência

Os temporais que atingiram a Zona da Mata mineira deixaram as cidades completamente alagadas e em constante estado de alerta para deslizamentos de terra. As equipes de emergência continuam trabalhando incessantemente para localizar dezenas de pessoas desaparecidas sob os escombros, enquanto milhares de habitantes foram forçados a abandonar suas residências devido à destruição causada pelas águas.

A tragédia, que ocorre em pleno ano eleitoral, rapidamente ganhou contornos políticos evidentes, atraindo a atenção de autoridades em todos os níveis de governo e gerando debates sobre os limites entre solidariedade genuína e oportunismo político em meio à destruição e ao sofrimento da população local.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar