Caso Master isola governador Ibaneis Rocha e PL rompe aliança para eleições no DF
Caso Master isola Ibaneis Rocha e PL rompe aliança no DF

Caso Master isola governador Ibaneis Rocha e PL rompe aliança para eleições no DF

O escândalo envolvendo o caso Master levou ao completo isolamento político do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que perdeu qualquer possibilidade de apoio do PL para concorrer ao Senado nas eleições de 2026. O partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que até então era seu principal aliado, viu na divulgação de um contrato milionário do escritório de advocacia do emedebista com o fundo Reag o momento ideal para abandonar a base governista.

Plano original desmorona e governador fica sem alternativas

Ibaneis Rocha foi eleito em 2018 e reeleito quatro anos depois com o apoio decisivo de Bolsonaro. Seu plano original para 2026 era concorrer ao Senado em uma aliança sólida com o PL, oferecendo a segunda vaga de senador na chapa a um candidato bolsonarista. Nesse cenário, a vice-governadora Celina Leão (PP) havia sido escolhida para disputar o Governo do Distrito Federal.

Agora, com a ruptura definitiva do PL, o governador se vê em uma encruzilhada política sem precedentes. O partido bolsonarista caminha para lançar duas candidatas ao Senado: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis, que também preside o PL no DF.

Contrato milionário com fundo investigado vira munição política

A Folha de S. Paulo teve acesso ao documento que comprova que o escritório de advocacia de Ibaneis vendeu para o fundo Reag Legal Claims os direitos sobre o recebimento de honorários no valor de R$ 38,13 milhões, equivalente a 10% da condenação, com data-base de dezembro de 2021. Segundo investigações da Polícia Federal, a Reag estava envolvida na teia de fraudes financeiras encabeçada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Ibaneis afirma que desconhece completamente a negociação com a Reag, alegando que está afastado do escritório de advocacia desde 2018. "Ele está afastado do escritório de advocacia desde 2018, de modo que não possui informações sobre negociações realizadas quase seis anos após seu afastamento", diz sua defesa em nota oficial.

PL pressiona por CPI e esquerda fecha portas

O PL não apenas rompeu com Ibaneis, como também dobrou a aposta política ao apoiar a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara Legislativa do DF para investigar as fraudes que envolvem o BRB (Banco de Brasília). "Não dá mais para esperar. Quando aparecem indícios graves de desvio de recursos, temos obrigação de agir. CPI é instrumento de fiscalização, e esta se tornou inevitável", afirmou Bia Kicis.

Do outro lado do espectro político, as portas também estão fechadas para o governador. O PT pretende lançar o presidente do Iphan, Leandro Grass, ao governo, enquanto o PSB tem como pré-candidato Ricardo Cappelli, presidente da ABDI, que foi interventor do Distrito Federal logo após os eventos de 8 de Janeiro. PSB e PSOL já acionaram o STF cobrando investigação do emedebista e seu afastamento do cargo.

Governador insiste em candidatura ao Senado sem apoios chave

Apesar do cerco político crescente, aliados no MDB afirmam que Ibaneis tem repetido que pretende concorrer ao Senado, mesmo sem o apoio dos bolsonaristas. No entanto, seus próprios assessores não descartam que talvez ele tenha que recorrer a um plano B, como se candidatar a deputado federal, para garantir uma eleição e evitar perder o foro especial.

O foro privilegiado eventualmente protegeria o governador de investigações no caso Master, razão pela qual pessoas próximas a ele dizem que também não está descartado que decida ficar até o final do ano no cargo. A crise entre o bolsonarismo e Ibaneis escalou na última semana, quando a Câmara Legislativa aprovou autorização para o Governo do Distrito Federal fazer um aporte no BRB para cobrir prejuízos relacionados às operações com o Master.

Base governista mostra rachaduras na Câmara Legislativa

Na Câmara Legislativa, a base de Ibaneis tem 17 dos 24 deputados distritais, mas três nomes até então governistas votaram contra o projeto de aporte ao BRB: Thiago Manzoni (PL), que agora lidera a articulação pela CPI, Rogério Morro da Cruz (PRD) e João Cardoso (Avante).

No PL, o apoio a Celina Leão para o governo do DF está encaminhado, mas lideranças do partido condicionam a manutenção da aliança ao desenrolar do caso Master. Há um temor real de que a aliança com ela vincule o partido a personagens envolvidos no escândalo financeiro. O PL já avaliava rifar Ibaneis na eleição, pois preferia ter candidatas identificadas com o chamado bolsonarismo raiz, e a crise envolvendo a tentativa de compra do Master pelo BRB deu munição à ala que não pretendia dar espaço ao atual governador.