Aposta eleitoral de Ratinho naufraga: chapa com Michelle Bolsonaro não avança
Aposta de Ratinho com Michelle Bolsonaro naufraga nas eleições

A tentativa frustrada de Ratinho para formar chapa presidencial em 2026

O apresentador de televisão Ratinho, figura influente no cenário político paranaense, protagonizou uma movimentação eleitoral que terminou em fracasso. O empresário e personalidade midiática buscou diretamente o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, com uma proposta ousada: uma chapa presidencial para as eleições de outubro de 2026 encabeçada pelo governador do Paraná, Ratinho Júnior, tendo como vice a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Os argumentos e a resistência do PL

Na abordagem, Ratinho-pai apresentou argumentos estratégicos. Ele defendia que seu filho, Ratinho Júnior, necessitaria de tempo para se tornar uma figura conhecida nacionalmente, mas que sua popularidade junto ao eleitorado de perfil mais popular poderia ser decisiva. A ideia era conquistar regiões tradicionalmente associadas ao Partido dos Trabalhadores, como estados do Nordeste, ampliando a base eleitoral da oposição.

Contudo, Valdemar Costa Neto, experiente nas artimanhas políticas, adotou uma postura evasiva. Mesmo com simpatia pelo nome de Michelle Bolsonaro para cargos de maior expressão, o presidente do PL alegou que qualquer decisão dependeria de uma orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, à época, enfrentava condenação e a iminência de cumprir pena por liderar uma trama golpista.

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A retirada de Ratinho Júnior da corrida presidencial

Com o avanço das costuras eleitorais, o cenário se modificou. O governador Ratinho Júnior, que inicialmente era cotado para a presidência na chapa proposta pelo pai, passou a ser cortejado para assumir a vice-presidência em uma eventual chapa liderada pelo senador Flávio Bolsonaro. O governador paranaense, no entanto, declinou do convite. Pouco depois, anunciou sua retirada também como pré-candidato ao Planalto pelo Partido Social Democrático.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, reconhecido por seu tino político, prometeu anunciar até o fim do mês o nome do partido para a corrida presidencial, escolhendo entre os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.

Os fatores por trás da desistência

A desistência de Ratinho Júnior é atribuída a uma combinação de fatores. Tanto aliados quanto adversários políticos sugerem que o governador, que possui aprovação de cerca de 80% do eleitorado paranaense, poderia ser alvo de ataques durante a campanha eleitoral devido a uma questão específica.

O ponto sensível remete a uma transação ocorrida em 2020, durante seu primeiro mandato como governador. Na ocasião, a subsidiária de telecomunicações da Companhia Paranaense de Energia, a Copel Telecom, foi vendida para um fundo que tinha como acionista o empresário Nelson Tanure.

A sombra do caso Copel Telecom

Nelson Tanure é um empresário conhecido por especializar-se em comprar empresas em dificuldades financeiras e está sob investigação como possível sócio oculto de Vorcaro nas traficâncias do Master, um escândalo financeiro de grande repercussão. Tanure foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, com mandados de busca e apreensão cumpridos contra ele.

Investigadores suspeitam que ele possa ter atuado como sócio oculto do ex-dono do Master. Essa associação, ainda que não diretamente ligada a Ratinho Júnior, cria um contexto delicado que poderia ser explorado politicamente em uma campanha eleitoral nacional, potencialmente manchando a imagem do governador.

O legado de uma aposta naufragada

A iniciativa de Ratinho-pai, portanto, naufragou em meio a protelações políticas, mudanças de estratégia partidária e um cenário de incertezas. A proposta de uma chapa Ratinho Júnior e Michelle Bolsonaro não encontrou eco suficiente no Partido Liberal, e a posterior recusa do governador em aceitar a vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro selou seu afastamento da disputa presidencial.

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O episódio ilustra as complexas negociações e os riscos calculados que permeiam a política brasileira, especialmente em um ciclo eleitoral que se anuncia acirrado. A sombra de investigações financeiras e a necessidade de blindagem eleitoral mostraram-se fatores decisivos, culminando no recuo de uma figura com alta popularidade regional, mas vulnerável a contestações em âmbito nacional.