Alerj exonera presidente da Acadêmicos de Niterói, escola que homenageia Lula no carnaval
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) realizou a exoneração de Wallace Alves Palhares do cargo de assistente da Casa na última quinta-feira, dia 5 de dezembro. A decisão ocorre em um contexto de mudanças na gestão da Assembleia, com centenas de demissões de comissionados desde o início do ano.
Quem é Wallace Palhares e sua ligação com o carnaval
Wallace Palhares é uma figura conhecida no cenário carioca, atuando como presidente da Acadêmicos de Niterói, escola de samba que fará sua estreia no Grupo Especial do carnaval em 2024. O enredo escolhido pela agremiação homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adicionando um elemento político à sua trajetória.
Além da atuação na escola de samba, Palhares mantém atividades empresariais como sócio-administrador das empresas WP Consulting e Fino Trato Selo Musical. Sua contratação na Alerj ocorreu no ano passado, por indicação do deputado Dionísio Lins (Progressistas), e ele estava alocado na Comissão de Transportes, presidida pelo próprio parlamentar.
Contexto das demissões na Alerj
A exoneração de Palhares faz parte de uma onda mais ampla de dispensas na Assembleia. Nesta semana, o presidente em exercício, Guilherme Delaroli (PL), desligou outros 75 comissionados, totalizando aproximadamente 400 demissões desde o início do ano. Segundo apurações, muitos dos assessores dispensados tinham ligações com parlamentares aliados ao deputado licenciado Rodrigo Bacellar (União), ex-presidente da Casa.
Delaroli justificou as medidas como parte de um esforço para "aprimorar a gestão" e melhorar os serviços prestados à população do estado. Em nota, ele destacou que não comenta casos específicos, mas que as exonerações seguem o curso natural da transição na presidência.
Mudanças na Mesa Diretora e o caso Bacellar
As demissões ocorrem em um período de instabilidade na liderança da Alerj. Rodrigo Bacellar está afastado da presidência desde o início de dezembro, após ser preso pela Polícia Federal (PF) a mando do Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de vazar informações de uma operação contra o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho.
Apesar de a Alerj ter derrubado a prisão e soltado Bacellar, ele foi impedido de reassumir a presidência por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Recentemente, Bacellar pediu licença do mandato, renovada esta semana, alegando motivos pessoais.
Reações e desdobramentos
O deputado Dionísio Lins, que indicou Palhares para o cargo, emitiu uma nota afirmando que a exoneração "foi uma decisão do presidente em exercício da Assembleia Legislativa, que pode nomear e exonerar quem ele quiser a qualquer momento". A posição reflete a autonomia do presidente em exercício em gerir os cargos comissionados.
Enquanto isso, a Acadêmicos de Niterói se prepara para o carnaval, com seu enredo em homenagem a Lula gerando expectativa e discussões. O g1 entrou em contato com a escola de samba para comentar o caso, mas ainda aguarda uma resposta oficial.
Este episódio ilustra as interseções entre política, cultura e administração pública no Rio de Janeiro, destacando como mudanças na gestão legislativa podem impactar figuras ligadas a eventos culturais de grande relevância, como o carnaval.



