Alerj define regras para eleição indireta de governador do Rio de Janeiro
Alerj define regras para eleição indireta de governador do RJ

Rio de Janeiro inicia definição de regras para eleição indireta de governador

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) começa a definir nesta quarta-feira (11) as regras para uma eleição indireta que escolherá um governador para um mandato-tampão no estado. A medida se torna necessária diante da provável renúncia do atual governador, Cláudio Castro (PL), que deve deixar o cargo em abril para concorrer a uma vaga no Senado Federal.

Comissão de Constituição e Justiça analisa projeto com mudanças significativas

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj se reúne às 11h para debater um Projeto de Lei Complementar sobre o tema. O g1 obteve com exclusividade o parecer do relator, deputado Rodrigo Amorim (União Brasil), que será apresentado durante a reunião. O texto substitutivo propõe duas alterações importantes em relação à proposta original.

Em primeiro lugar, estabelece que a votação entre os deputados estaduais seja aberta, e não secreta como previa inicialmente o projeto do deputado Luiz Paulo (PSD). Além disso, reduz drasticamente o prazo de desincompatibilização – período em que os candidatos precisam estar fora de cargos públicos no Executivo – de seis meses para apenas 24 horas.

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Contexto político que exige a eleição indireta

A definição das regras é um requisito fundamental para que os deputados estaduais possam escolher o governador que substituirá Cláudio Castro até o final do ano. A necessidade dessa medida se deve a uma situação atípica: o vice-governador, Thiago Pampolha, renunciou ao cargo no ano passado para assumir como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).

Com isso, caso Castro também renuncie – como tudo indica que ocorrerá –, a Constituição estadual determina a realização de uma eleição indireta entre os parlamentares da Alerj. Sem a definição das regras, haveria um vazio legal que impediria o processo sucessório.

Impacto das mudanças propostas

A redução do prazo de desincompatibilização tem implicações diretas sobre os possíveis candidatos. Na proposta original, que mantinha o prazo de seis meses, ficariam excluídos da disputa os principais nomes ventilados nos bastidores políticos:

  • Nicola Miccione, secretário da Casa Civil e preferido do governador Cláudio Castro
  • Douglas Ruas, secretário das Cidades e nome mais cotado pela família Bolsonaro
  • André Ceciliano, secretário da Presidência da República, que seria a aposta do PT

Com a redução para 24 horas, todos esses nomes poderiam concorrer ao cargo, o que promete tornar a disputa mais acirrada e politicamente complexa.

Debate entre parlamentares sobre as regras

O presidente em exercício da Alerj, deputado Guilherme Delaroli (PL), já se declarou favorável ao voto aberto. "No projeto original, está o voto secreto, e defendo que o voto seja aberto, porque eu acho que o eleitor tem que saber em quem o deputado dele, que o elegeu, vai votar", afirmou Delaroli em entrevista ao RJ2 na semana passada.

Já o deputado Luiz Paulo, autor da proposta original, defende a manutenção do prazo de desincompatibilização. Para ele, uma mudança nesse ponto pode criar insegurança jurídica no estado. "É claro que muitos aqui vão defender a tese da desincompatibilização de 30 dias. É fácil emendar. É fácil aprovar na CCJ. Com o meu voto contrário. Mas não é fácil que quem seja derrotado aqui vá ao Supremo, e seja derrotado lá, e crie um imbróglio para essa eleição indireta", discursou o parlamentar.

Justificativa do relator para as mudanças

Em entrevista ao g1, o deputado Rodrigo Amorim explicou o raciocínio por trás de suas recomendações. "Uma eventual eleição extraordinária fruto da dupla vacância é um caso atípico, e não há previsibilidade de quando irá ocorrer. Portanto, estabelecer o prazo ordinário em algo extraordinário não é o mais adequado", pontuou o relator.

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Amorim acrescentou: "A matéria precisa ser enfrentada imediatamente, porque temos hoje um vazio legal sem a legislação que impõe regras para a eleição extraordinária no caso de dupla vacância. Cabe ao legislativo estadual estabelecer as regras da eleição".

Cronograma para a votação

Delaroli afirmou que pretende levar a proposta à votação pelo plenário da Alerj até a última semana de fevereiro, após o período do carnaval. Isso significa que, se aprovada pela CCJ nesta quarta-feira, a matéria seguirá para análise e votação em plenário nas próximas semanas, garantindo que as regras estejam definidas antes da possível renúncia de Cláudio Castro em abril.

O processo de definição das regras para a eleição indireta representa um momento crucial na política fluminense, com potencial para reconfigurar alianças e definir os rumos do estado durante o restante do ano.