Afastamento de prefeito de Macapá aprofunda crise no PSD e desafia liderança de Kassab
O Partido Social Democrático (PSD) enfrenta uma situação crítica com o afastamento do prefeito de Macapá, Antônio Furlan, conhecido como Dr. Furlan, determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão judicial ocorreu apenas um dia após o político deixar o MDB e se filiar ao PSD, ampliando o que tem sido chamado de "inferno astral" da legenda liderada por Gilberto Kassab.
Operação da Polícia Federal e suspeitas de fraude milionária
Dr. Furlan tornou-se alvo de busca e apreensão da Polícia Federal por suspeita de envolvimento em um esquema de fraude em licitação da Secretaria Municipal de Saúde de Macapá. Segundo as investigações, existem indícios de um esquema criminoso que envolveria agentes públicos e empresários, com desvio de recursos públicos de aproximadamente 129 milhões de reais provenientes de emendas parlamentares.
Na decisão do ministro Flávio Dino, do STF, consta que Furlan seria o "principal beneficiário político" do esquema, utilizando sua posição hierárquica e influência funcional para assegurar a operacionalização, ocultação e dissimulação dos valores desviados. O magistrado destacou que as provas da investigação são consistentes e apontam para a participação ativa do prefeito.
Divisões internas e desafios eleitorais do PSD
O problema com o prefeito de Macapá não é o único enfrentado pelo PSD neste início de ano eleitoral. O partido, que cresce organicamente como poucos, enfrenta sérias dificuldades em consolidar uma estratégia unificada para as eleições de 2026.
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Kassab está em rota de colisão com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pode perder espaço na gestão estadual, incluindo a vaga de vice-governador, atualmente ocupada por Felício Ramuth mas cobiçada pelo PL.
Desempenho fraco nas pesquisas presidenciais
No âmbito das eleições presidenciais, o PSD insiste em levar um de seus três presidenciáveis às urnas em outubro: os governadores Ratinho Júnior (PR), Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO). No entanto, os resultados nas pesquisas eleitorais têm sido inexpressivos.
O último levantamento da AtlasIntel/Bloomberg revelou baixos índices de intenção de voto:
- Ronaldo Caiado: 4,9%
- Ratinho Junior: 3,8%
- Eduardo Leite: 1,6%
No segundo turno, todos os três apresentam desempenhos inferiores ao do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o que aumenta a pressão interna sobre a estratégia do partido.
Divisão nos palanques estaduais
Com a dificuldade em lançar um candidato próprio e sinalizando que não apoiará nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem Flávio Bolsonaro, Kassab pode ver a divisão no partido se aprofundar nos palanques estaduais. Vários estados já manifestaram apoio sólido ao presidente Lula:
- Rio de Janeiro
- Bahia
- Ceará
- Amazonas
- Alagoas
- Piauí
- Mato Grosso
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) está mais interessada em manter boas relações com Lula do que em apoiar algum candidato do próprio partido. O primeiro governador eleito pelo PSD no Nordeste, Fábio Mitidieri (SE), já declarou que também dará palanque ao petista.
Confusão em Minas Gerais
No segundo maior colégio eleitoral do país, a situação é ainda mais complexa. Mateus Simões, nome do PSD que assumirá o governo de Minas Gerais em meados de março, afirmou que seu candidato ao Planalto será Romeu Zema (Novo), atual governador do estado. Esta declaração cria mais uma confusão interna no partido de Kassab.
Com fraco desempenho eleitoral até o momento, Simões parece mais preocupado em abrir palanque duplo, podendo se tornar candidato de Flávio Bolsonaro e se consolidar à direita, do que em apoiar um nome do próprio partido, que tenta se apresentar como de centro.
O "inferno astral" do PSD
A expressão "inferno astral" é utilizada na astrologia para nomear o período de trinta dias que antecede a data de aniversário de alguém, considerado uma fase de encerramento de ciclo frequentemente acompanhada de contratempos. O PSD foi fundado por Kassab em 25 de fevereiro de 2011, o que significa que, em tese, seu "inferno astral" terminou na semana passada.
No entanto, os desafios políticos parecem longe de terminar. O partido enfrenta simultaneamente:
- Crises de imagem com o afastamento de um novo filiado
- Divisões internas profundas nos palanques estaduais
- Desempenho eleitoral fraco nas pesquisas presidenciais
- Conflitos estratégicos sobre o posicionamento político do partido
Esta conjunção de fatores coloca à prova a capacidade de Kassab em manter a coesão do PSD enquanto busca ampliar sua influência no cenário político nacional. O início do ano eleitoral de 2026 promete ser desafiador para a legenda, que precisa superar múltiplas adversidades para consolidar seu projeto político.



