Desincompatibilização provoca mudança em 11 governos estaduais
O encerramento da janela partidária e do prazo de renúncia dos governadores que visam outros cargos nas eleições transformou os palanques estaduais dos pré-candidatos à Presidência da República. Com o término do período de desincompatibilização no último sábado (4), dez estados e o Distrito Federal passaram a ter novos comandantes nos executivos estaduais.
Esse novo cenário político garantiu ao menos um palanque adicional tanto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto para o senador Flávio Bolsonaro (PL), reconfigurando as alianças regionais em um ano eleitoral crucial.
Reconfiguração de apoios presidenciais
As novas governadoras do Acre, Mailza Assis (PP), e do Distrito Federal, Celina Leão (PP), já manifestaram apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Enquanto isso, Lula mantém o respaldo do governo do Pará, agora sob o comando de Hana Ghassan (MDB), e conta com o apoio de Lucas Ribeiro (PP) na Paraíba, mesmo com a orientação nacional do partido ainda indefinida.
No Espírito Santo, Lula perdeu o apoio que tinha com Renato Casagrande (PSB) após a entrada de Ricardo Ferraço (MDB), alinhado à centro-direita e que defende que o MDB não apoie o petista. Já Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, conta com o respaldo de seu sucessor no estado, Daniel Vilela (MDB).
Romeu Zema (Novo) é apoiado pelo vice que assumiu o governo de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD). O PSD, aliás, ampliou sua bancada de governadores para seis com as mudanças, tornando-se o partido com maior presença nos estados, comandando Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco, Sergipe e Rondônia.
Panorama atual dos apoios
Com as mudanças, Lula segue praticamente com os mesmos apoios que tinha antes do prazo final da desincompatibilização, com exceção do Espírito Santo. Atualmente, governadores de onze estados apoiam publicamente o presidente: Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro ganhou apoio no Acre. Amazonas e Rio de Janeiro, onde governavam aliados de Bolsonaro, estão sob o comando de interinos. Até o momento, o senador tem aliados governando em três estados (Acre, Santa Catarina e São Paulo) e no Distrito Federal.
Os atuais governadores do Espírito Santo, de Mato Grosso e Roraima ainda não declararam apoio a nenhum dos pré-candidatos à presidência da República, mantendo-se em uma posição de expectativa.
Mudanças estaduais em detalhe
Acre: Mailza Assis (PP) assumiu o governo com a renúncia de Gladson Cameli (PP), que deve concorrer ao Senado. Seguindo a posição do partido, declarou apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
Amazonas: Roberto Cidade (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa, assumiu interinamente após renúncias simultâneas do governador e vice. Como ficará de forma interina, não declarou apoio a nenhum pré-candidato.
Distrito Federal: Celina Leão (PP) assumiu o governo com a renúncia de Ibaneis Rocha. Aliada de Flávio Bolsonaro, também recebe apoio de Michelle Bolsonaro.
Espírito Santo: Ricardo Ferraço (MDB) assumiu no lugar de Renato Casagrande (PSB). De perfil de centro-direita, defende que o MDB capixaba não apoie Lula, mas ainda não indicou qual pré-candidato pretende apoiar.
Goiás: Daniel Vilela (MDB) assumiu com a saída de Ronaldo Caiado (PSD). Defende a candidatura presidencial de seu antecessor e é de oposição ao governo federal.
Mato Grosso: Otaviano Pivetta (Republicanos) tomou posse após renúncia de Mauro Mendes (União Brasil). Conhecido por alinhamento com a centro-direita, ainda não declarou apoio público a pré-candidato presidencial.
Minas Gerais: Mateus Simões (PSD) assumiu após renúncia de Romeu Zema (Novo). Alinhado ao ex-governador e a Flávio Bolsonaro, demonstra que irá apoiar a pré-candidatura presidencial de Zema.
Pará: Hana Ghassan (MDB) assumiu após saída de Helder Barbalho (MDB). Segue alinhada ao governo Lula, mas até o momento não declarou publicamente apoio à reeleição do petista.
Paraíba: Lucas Ribeiro (PP) assumiu após renúncia de João Azevêdo (PSB). De família com tradição política no estado, deve apoiar a reeleição de Lula.
Rio de Janeiro: O governo está com o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, após renúncia de Cláudio Castro e complicações na linha sucessória.
Roraima: Edilson Damião (União Brasil) assumiu após renúncia de Antônio Denarium (PP). Já se posicionou como pré-candidato à reeleição, mas não declarou apoio público a nenhum pré-candidato presidencial.



