Um terço dos cursos de medicina falha no Enamed; MEC aplicará sanções
Um em cada três cursos de medicina não atinge nota mínima

O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, um balanço preocupante sobre a qualidade da formação médica no Brasil. Os dados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) mostram que aproximadamente um em cada três cursos não conseguiu atingir o desempenho mínimo esperado.

Resultados revelam desempenho insuficiente

Do total de 351 cursos de medicina avaliados, um percentual de 30,48% obteve conceitos considerados não proficientes. As notas são distribuídas em uma escala que vai de 1 a 5, sendo que os cursos que ficaram nas faixas 1 e 2 foram reprovados na avaliação.

Mais especificamente, 24 cursos receberam o conceito 1 (o mais baixo) e outros 83 ficaram com conceito 2. Um curso aparece na lista como "sem conceito", pois menos de dez estudantes participaram do exame, invalidando a avaliação estatística.

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MEC anuncia sanções para 99 cursos

Apesar do alto número de cursos com desempenho insuficiente, nem todos sofrerão punições imediatas. Isso ocorre porque faculdades estaduais e municipais, embora avaliadas, não estão sob a supervisão direta do MEC. Das 351 instituições, 304 fazem parte do Sistema Federal de Ensino, que inclui universidades federais e instituições privadas.

Desse universo, 99 cursos estão passíveis de sanções, que serão aplicadas de forma escalonada, conforme o percentual de estudantes com proficiência adequada:

  • 8 cursos (com menos de 30% de proficiência): Proibição de aumento de vagas, suspensão do Fies, avaliação de outros programas federais e suspensão de ingresso de novos alunos.
  • 13 cursos (entre 30% e 40%): Redução de 50% das vagas oferecidas.
  • 33 cursos (entre 40% e 50%): Redução de 25% das vagas.
  • 45 cursos (entre 50% e 60%): Apenas proibição de aumento de vagas.

Todas as instituições afetadas passarão por um processo administrativo de supervisão, com direito à ampla defesa, e terão um prazo de 30 dias para apresentar seus recursos. As medidas têm caráter cautelar e valerão até a divulgação do próximo Enamed, prevista para outubro de 2026.

Exame como ferramenta de diagnóstico e regulação

O Enamed foi criado em 2025 como uma versão específica do Enade para a graduação em medicina. A prova, aplicada anualmente de forma obrigatória aos concluintes, possui 100 questões objetivas baseadas nas Diretrizes Curriculares Nacionais e foi realizada em mais de 200 municípios brasileiros.

Durante o anúncio dos resultados, estiveram presentes os ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e da Educação, Camilo Santana. Padilha destacou que o exame fornece um "diagnóstico mais preciso" da formação médica no país, permitindo identificar quais instituições formam bem e quais precisam se reorganizar.

Já o ministro Camilo Santana enfatizou que o Enamed deve ser visto como um instrumento de aprimoramento. "É uma ferramenta para identificar correções necessárias e garantir padrões mínimos de qualidade. Não se trata de uma caça às bruxas", declarou.

Além de orientar as sanções, a nota de corte do Enamed passará a ser usada para regular a abertura de novos cursos de medicina no Brasil, país que já possui cerca de 494 escolas médicas em funcionamento. O exame também integrará o processo seletivo do Exame Nacional de Residência (Enare).

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