Mulheres que marcaram a educação e dão nome a escolas em Porto Velho
Em Porto Velho, capital de Rondônia, os nomes Flora Calheiros Cotrin, Marise Castiel e Carmela Dutra estão permanentemente gravados nas fachadas de instituições de ensino, fazendo parte do cotidiano de centenas de estudantes. Mas quem foram essas mulheres que receberam tamanha homenagem? Vindas de diferentes regiões do Brasil, elas construíram legados que ultrapassaram suas cidades de origem e deixaram marcas profundas na educação e na sociedade.
Flora Calheiros: a professora que transformou uma comunidade
Natural de Eunápolis, no interior da Bahia, Flora Calheiros Cotrin se destacou como referência nacional em excelência pedagógica. Segundo a historiadora Rita Vieira, em uma comunidade interiorana marcada por dificuldades sociais, Flora ficou conhecida por promover eventos culturais e ações sociais que mudaram a realidade local. Seu trabalho transcendia a sala de aula, mobilizando a população em torno da educação e da cultura. Hoje, uma escola no bairro Esperança da Comunidade, na zona Leste de Porto Velho, carrega seu nome como testemunho de seu legado transformador.
Marise Castiel: liderança feminina na política e educação
Nascida no Pará, Marise Castiel era professora da educação primária quando se mudou para Porto Velho na década de 1950, acompanhando o marido que assumiria a presidência de um partido político na cidade. Rita Vieira destaca que, mesmo em um período onde as mulheres tinham espaço limitado na política, Marise se tornou uma liderança feminina expressiva. Ela ocupou cargos como secretária municipal de Educação e presidente do Conselho Educacional Municipal, além de participar da fundação da escola de samba Pobres do Caiari, da qual foi presidente. Atualmente, seu nome batiza uma escola municipal que atende cerca de 360 alunos da educação infantil e uma escola particular na capital.
Carmela Dutra: a primeira-dama homenageada nacionalmente
Carmela Dutra tornou-se primeira-dama do Brasil em 1946, com a eleição do marido Eurico Gaspar Dutra, logo após o fim da Era Vargas. Representando o perfil conservador atribuído às mulheres da época, Carmela faleceu em 1947 vítima de um erro médico durante uma cirurgia. Por ter falecido enquanto o marido exercia a presidência, recebeu homenagens em diversas escolas pelo país. Em Porto Velho, seu nome está em uma das primeiras grandes escolas públicas construídas na cidade, além de aparecer em ruas e colégios em várias regiões do Brasil.
O papel das mulheres na história de Rondônia
Para a historiadora Rita Vieira, dar nomes de mulheres a escolas e ruas é uma forma crucial de mostrar que a história não foi construída apenas por homens. "Ter nomes de escolas de mulheres que representaram uma atuação nacional na educação mostra que, mesmo com todos os desafios e a fragilidade que ainda enfrentamos em relação aos direitos femininos, as mulheres lutam muito por espaço e reconhecimento", afirma.
Porto Velho nasceu durante a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, período em que homens ligados à obra eram os principais homenageados. No entanto, Rita Vieira ressalta que muitas mulheres tiveram papel fundamental, mesmo que nos bastidores. Entre elas estão as educadoras barbadianas, descendentes de trabalhadores afro-antiguanos que vieram para a região durante a construção da ferrovia. Essas mulheres protagonizaram um forte movimento educacional, resultando na criação da Escola Barão do Solimões, fundada em 1927 e considerada a primeira escola pública de Porto Velho.
"As educadoras afro-antiguanas, como a professora Aurélia Bankfield e as descendentes da família Johnson, deveriam ser homenageadas também", defende a historiadora. Ela cita ainda outros nomes como Ursula Maloney, que participou da fundação da Secretaria Estadual de Educação; Janilene Melo, primeira governadora de Rondônia; e a professora Ronilza Cordeira. "Existem muitas mulheres negligenciadas na história de Rondônia e de Porto Velho que merecem reconhecimento", completa Rita Vieira, enfatizando a importância de valorizar essas trajetórias para uma compreensão mais completa da história local e nacional.
