MPF processa Globo por pronúncia incorreta da palavra 'recorde' na TV
MPF processa Globo por erro na pronúncia de 'recorde'

MPF entra com processo contra Globo por erro na pronúncia de 'recorde'

Uma ação judicial inusitada está chamando a atenção no meio jurídico e linguístico brasileiro. O Ministério Público Federal (MPF) decidiu processar a Rede Globo devido à pronúncia incorreta da palavra "recorde" por parte de seus apresentadores. Segundo a ação, a emissora estaria fomentando o uso errado da língua portuguesa ao difundir uma forma não padronizada da palavra.

A polêmica da pronúncia: 'récorde' versus 'recórde'

A questão central gira em torno da sílaba tônica da palavra. Enquanto muitos brasileiros, influenciados pela pronúncia inglesa "record", dizem "RÉ-corde", a forma correta em português é "re-COR-de". A palavra "recorde" é classificada como paroxítona, ou seja, a sílaba mais forte é a penúltima.

O professor de português Noslen Borges explica: "A confusão ocorre porque no inglês a tônica está no início, mas quando a palavra foi incorporada ao nosso idioma, ela se tornou uma paroxítona legítima. Não há acento gráfico no 'e', portanto a sílaba tônica não pode estar no 're'."

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto da mídia na língua portuguesa

O MPF argumenta na ação que, por se tratar de um meio de comunicação de massa com alcance nacional, a Globo tem responsabilidade em preservar a norma padrão da língua portuguesa. A pronúncia incorreta, segundo o órgão, estaria levando a população a reproduzir o erro tanto na fala quanto na escrita.

"Quando uma emissora do porte da Globo propaga uma forma errada, isso se torna quase uma norma paralela na mente das pessoas", analisa a professora Glaucia Dissenha, revisora textual.

Como falar corretamente

Para nunca mais errar:

  • Forma correta: "Ele bateu o re-COR-de mundial"
  • Forma incorreta: "Ele bateu o RÉ-corde mundial"

O caso judicial traz à tona uma discussão mais ampla sobre o papel da mídia na preservação da língua portuguesa e como o uso popular pode conflitar com as normas estabelecidas. Enquanto muitos defendem que a língua é viva e se transforma com o uso, outros argumentam que meios de comunicação de massa devem seguir o padrão culto.

A polêmica serve como alerta para todos os falantes do português: pequenos detalhes de pronúncia podem ter implicações maiores do que imaginamos. E no caso da Globo, pode até resultar em processos judiciais.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar