Taxas Turísticas: Destinos no Brasil e Exterior que Cobram dos Visitantes
Taxas Turísticas: Destinos que Cobram dos Visitantes

Taxas Turísticas: A Polêmica Medida que Divide o Turismo Global

A cobrança de taxas de visitação em destinos turísticos renomados, como Campos do Jordão, no interior de São Paulo, e Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, reacendeu uma polêmica que já vinha ganhando força em escala mundial. Adotada sob a justificativa de combater o overtourism – o excesso de turistas que sobrecarrega infraestruturas e ecossistemas –, essa medida tem sido implementada em diversas localidades, gerando um intenso debate sobre seus impactos na acessibilidade e na sustentabilidade do setor.

O Debate Entre Sustentabilidade e Elitização

Para alguns especialistas e autoridades, as taxas turísticas, também conhecidas como taxas de permanência, representam a única forma viável de garantir uma exploração sustentável dos destinos, permitindo investimentos em preservação ambiental e melhorias na infraestrutura local. No entanto, críticos argumentam que essas cobranças podem levar à elitização do turismo, tornando certos locais inacessíveis para uma parcela significativa da população. Há ainda quem defenda que, sem essas medidas, seria impossível conter a superlotação que afeta tanto destinos brasileiros quanto internacionais.

Casos Emblemáticos ao Redor do Mundo

No epicentro dessa discussão global estão cidades como Veneza, na Itália, que em 2024 passou a cobrar uma taxa obrigatória para visitantes que não pernoitam na cidade, visando reduzir o fluxo diário de turistas. Barcelona, na Espanha, segue uma filosofia similar, aplicando um valor adicional diário sobre o custo da hospedagem, que varia conforme o tipo de alojamento. Já o Butão, frequentemente chamado de nação mais feliz do mundo, adotou uma postura mais radical após a pandemia, estabelecendo uma taxa diária de 100 dólares por visitante, destinada ao desenvolvimento sustentável – atualmente a mais alta do mundo no segmento turístico.

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Exemplos de Destinos que Já Cobram Taxas

Veja a seguir uma lista detalhada de destinos turísticos, tanto no Brasil quanto no exterior, que já implementaram taxas extras para os visitantes:

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  • Veneza (Itália): Taxa obrigatória para quem não pernoita, cobrada em 54 dias da alta temporada, variando de 5 a 10 euros conforme antecedência do pagamento.
  • Barcelona (Espanha): Combinação de taxa turística regional e sobretaxa municipal, com valores entre 2 e 15 euros por pessoa por noite, dependendo da acomodação.
  • Berlim (Alemanha): Cobrança de 7,5% sobre o valor líquido da acomodação por noite, aplicada desde o início deste ano para lazer e negócios.
  • Praga (República Tcheca): Taxa de 50 coroas checas (cerca de 2 euros) por noite, limitada a 60 dias, com isenção para menores de 18 anos.
  • Paris (França): Em vigor desde janeiro de 2024, varia de aproximadamente 2,6 dólares para hotéis de uma estrela a 14,95 dólares para hotéis-palácio, por pessoa por noite.
  • Amsterdam (Holanda): Taxa de turismo de 12,5% sobre o custo do alojamento, revertida para melhorias locais.
  • Los Angeles (EUA): Uma das maiores taxas dos Estados Unidos, variando de 14% a 15,5% do custo do quarto, implementada este ano.
  • Butão: Taxa diária de 100 dólares por pessoa, reajustada após a pandemia, focada em sustentabilidade.
  • Dubrovnik (Croácia): Tarifa diária por pessoa que varia conforme época e acomodação, em média 2,65 euros por dia.
  • Ilha de Páscoa (Chile): Taxa de 80 dólares para estrangeiros, com valor reduzido para chilenos, destinada à preservação cultural.
  • Fernando de Noronha (Brasil): Cobrança de taxa de preservação ambiental desde 1989, atualmente em 101,33 reais por dia, com reajuste anual baseado no IPCA.
  • Jericoacoara (Brasil): Taxa de permanência de 41,50 reais para até 10 dias, com acréscimo de 4,15 reais por dia extra.
  • Ubatuba (Brasil): Taxa diária obrigatória para veículos visitantes, de 3,69 reais para motocicletas e 13,73 reais para carros, visando reduzir impactos ambientais.
  • Abrolhos (Brasil): Taxa diária diferenciada: 104 reais para estrangeiros, 78 reais para turistas do Mercosul, 52 reais para brasileiros e 10 reais para moradores locais.
  • Gramado (Brasil): Taxa de Turismo Sustentável de 3,28 reais por dia, destinada a custear melhorias na infraestrutura local.

O Futuro das Taxas Turísticas

Esse debate, que envolve questões de sustentabilidade, acessibilidade e gestão do fluxo turístico, tende a cruzar ainda mais fronteiras nos próximos anos. À medida que destinos populares buscam equilibrar a preservação de seus recursos com a demanda crescente por viagens, a implementação de taxas turísticas provavelmente se expandirá, gerando novas discussões sobre como tornar o turismo mais responsável e inclusivo. A experiência de locais como Fernando de Noronha, que há décadas aplica uma taxa ambiental, sugere que, com transparência e investimentos adequados, essas medidas podem contribuir para a conservação a longo prazo, embora o risco de exclusão social permaneça uma preocupação válida.