O Bradesco reportou lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, representando um crescimento de 16,1% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 4,5% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Os dados constam no balanço divulgado nesta quarta-feira.
Desempenho financeiro
A margem financeira líquida do banco alcançou quase R$ 10,4 bilhões, com alta de 8,3% na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) médio ficou em 15,8%, ante 14,4% um ano antes. As projeções de analistas compiladas pela LSEG apontavam lucro de R$ 6,7 bilhões e ROE de 15,6%.
O presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou em comunicado: "Mesmo em cenário macro desafiador, gerimos bem os riscos e evoluímos. Seguiremos em frente, 'step by step'." Ele acrescentou que o avanço ocorreu com cautela: "O cenário macro piorou, vimos guerra, e ainda assim gerimos bem os riscos, preservamos a qualidade dos nossos ativos, reforçamos o nosso balanço, aproveitamos as oportunidades que apareceram e aumentamos a nossa rentabilidade."
Carteira de crédito
A carteira de crédito do banco encerrou março em R$ 1,1 trilhão, alta de 8,4% na comparação anual. O portfólio de pessoas físicas cresceu 9,5%, enquanto o de pessoas jurídicas avançou 7,6%. Neste segmento, houve aumento de 3,3% nas grandes companhias e de 14,4% nas micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).
Na base trimestral, a carteira expandida ficou praticamente estável (+0,1%), com alta de 1,6% em pessoa física e queda de 1,1% em pessoa jurídica. As grandes empresas recuaram 0,2% e as MPMEs, 2,3%.
Inadimplência e provisões
O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 4,2%, ante 4,1% um ano antes e no quarto trimestre de 2025. Segundo o Bradesco, o resultado foi influenciado pelas operações de capital de giro com garantias, que têm dinâmica específica de recuperação e impactaram o indicador de MPMEs em 0,2 ponto percentual.
No início da semana, o governo lançou o Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares, em resposta aos altos níveis de endividamento da população.
O custo do crédito, medido pela despesa de provisões (PDD) expandida, aumentou 26,5% na comparação anual e 9,5% no trimestre, para quase R$ 9,7 bilhões. O banco explicou que o movimento refletiu casos pontuais no segmento de atacado e maior custo de crédito no varejo. No atacado, a PDD expandida somou R$ 800 milhões, ante R$ 300 milhões no trimestre anterior e R$ 200 milhões um ano antes. No varejo, a PDD expandida foi de R$ 8,8 bilhões, frente a R$ 8,5 bilhões no quarto trimestre de 2025 e R$ 7,4 bilhões um ano antes, impactada por operações com programas emergenciais, crédito rural de safras mais antigas, redução das operações em estágio 3 e da carteira reestruturada.
Na movimentação da carteira por estágios, o montante no estágio 1 somava R$ 715,7 bilhões; no estágio 2, R$ 40,0 bilhões; e no estágio 3, R$ 57,4 bilhões. No quarto trimestre, esses valores eram de R$ 712,4 bilhões, R$ 37,2 bilhões e R$ 59,4 bilhões, respectivamente.
O banco manteve a previsão de crescimento da carteira de crédito expandida em 2026 entre 8,5% e 10,5%.
Eficiência e seguros
As receitas totais do banco atingiram R$ 36,9 bilhões, alta de 14% na comparação com o mesmo trimestre de 2025. As receitas com prestação de serviços cresceram 6,2%, para R$ 10,4 bilhões. As despesas operacionais somaram R$ 16,2 bilhões, alta de 7,8% na comparação anual. O índice de eficiência ficou em 49,2%, ante 51,8% um ano antes.
O resultado de seguros mostrou lucro líquido de R$ 2,8 bilhões, alta de 13% na comparação anual, com ROAE de 21,6%. Em fevereiro, o banco e a Bradesco Seguros anunciaram a criação da Bradsaúde, conglomerado formado a partir da consolidação das operações da Bradesco Saúde, Odontoprev e Atlântica Hospitais e Participações.
Noronha destacou: "Estamos destravando valor no Bradesco. A Bradsaúde nasceu, é realidade, um passo histórico para a organização. Seu potencial em saúde é grande, e há também benefícios para o grupo."
Indicadores de capital e rede
O Bradesco encerrou o primeiro trimestre com índice de Basileia de 17,4% e de capital principal de 12,7%. Os ativos totais somavam quase R$ 2,48 trilhões. Ao fim de março, o banco tinha 1.938 agências, além de 706 unidades de negócios e 1.723 postos de atendimento. Em dezembro, eram 2.009 agências, 724 unidades de negócios e 1.872 postos de atendimento.



