A crise provocada pelas mensagens que ligam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, abriu uma nova fase de turbulência na pré-campanha presidencial da direita. No programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz, os colunistas Robson Bonin e os editores José Benedito da Silva e Laryssa Borges avaliaram que o desgaste do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro já provocou fissuras internas no PL, reacendeu movimentos de candidatos alternativos e expôs o improviso da estrutura política montada pelo senador.
Por que a crise de Flávio virou um problema político tão grave?
A discussão começou após Ferraz destacar a queda de Flávio na mais recente pesquisa AtlasIntel, divulgada depois do vazamento dos áudios em que o senador pede dinheiro a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O senador passou a semana tentando explicar contradições sobre sua relação com o ex-banqueiro e acabou admitindo que esteve com Vorcaro enquanto ele já cumpria prisão domiciliar.
Para Bonin, o problema central não é apenas a investigação em si, mas a sucessão de versões contraditórias apresentadas pelo senador. “Ele caiu numa armadilha que ele mesmo criou”, afirmou. Segundo o colunista, Flávio sustentou por meses que nunca havia mantido relação com Daniel Vorcaro, até que mensagens e gravações vieram à tona. “Tem imagem dele mentindo”, disse Bonin.
A direita começou a procurar alternativas a Flávio?
A deterioração da candidatura abriu espaço para movimentações no centro e na direita. Durante o programa, Bonin afirmou que nomes antes considerados fora do radar passaram a circular nos bastidores políticos. “Essa crise abriu portas para muita gente sonhar”, afirmou. Entre os nomes mencionados estão o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, o senador Cleitinho e lideranças ligadas ao Republicanos e ao PSDB.
Segundo Bonin, a janela entre agora e as convenções partidárias será decisiva para medir a resistência de Flávio e a viabilidade de candidaturas alternativas. “Em termos de campanha eleitoral, o tempo que tem ainda é uma eternidade”, disse.
José Benedito avaliou que o escândalo reacendeu uma disputa silenciosa para definir quem ficará com o espólio eleitoral da direita caso a situação de Flávio continue piorando.
O mercado financeiro começou a abandonar Flávio Bolsonaro?
Outro ponto discutido foi o desgaste da candidatura entre setores do mercado financeiro. Segundo Bonin, nomes da Faria Lima passaram a demonstrar desconfiança sobre a capacidade política de Flávio de liderar um projeto eleitoral competitivo contra Lula. “Ele passou a semana inteira fazendo calls com representantes da Faria Lima”, afirmou.
Na avaliação do colunista, o senador demonstrou despreparo político diante da primeira grande crise da campanha. “O primeiro problema do Flávio é o despreparo”, disse Bonin. Segundo ele, o episódio revelou uma tentativa contínua de esconder a relação financeira com Vorcaro até o momento em que as mensagens se tornaram públicas.
A pré-campanha de Flávio virou uma ‘bagunça’?
José Benedito afirmou que a crise também escancarou falhas graves na organização da campanha presidencial do senador. “Ficou muito claro que a pré-campanha é uma bagunça”, afirmou.
Outro eixo do debate foi a tentativa frustrada de instalação de uma CPI do Banco Master no Congresso. Durante o programa, Ricardo Ferraz destacou que tanto governistas quanto bolsonaristas passaram a defender publicamente investigações, embora nos bastidores haja resistência ao avanço da comissão. José Benedito avaliou que o tema da corrupção representa um “telhado de vidro” tanto para a direita quanto para o PT. Segundo ele, o caso Banco Master pode acabar atingindo personagens de diferentes campos políticos, inclusive ligados ao entorno de Lula.
O que significa a saída do advogado de Daniel Vorcaro?
Nos minutos finais do programa, Bonin revelou que o advogado José Luiz Oliveira Lima, conhecido como Juca, havia deixado a defesa de Vorcaro após divergências sobre as negociações de delação premiada. Segundo Bonin, investigadores da Polícia Federal consideraram insuficientes as informações apresentadas até agora pelo banqueiro.
O colunista relatou ainda que integrantes do STF receberam informações de que o advogado estaria discutindo a delação com figuras externas ao processo, como José Dirceu e Alexandre de Moraes. A avaliação dentro da investigação é que havia uma tentativa de blindar personagens importantes do sistema político e do Judiciário.



