CCJ da Câmara aprova tramitação da PEC da jornada 6x1 para discussão de redução de horas
CCJ aprova tramitação da PEC da jornada 6x1 na Câmara

Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprova tramitação da PEC da jornada 6x1

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (22), o relatório favorável à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da jornada 6x1. O texto, que agora será encaminhado para uma comissão especial, tem como objetivo discutir o mérito da proposta, incluindo o desenho final da alteração no limite de horas semanais que as empresas podem exigir de seus empregados.

Votação simbólica e manobras políticas

O relatório do deputado federal Paulo Azi (União Brasil-BA) foi aprovado em uma votação simbólica, onde não há declaração individual de voto. O parlamentar havia apresentado seu parecer favorável ao andamento da proposta na semana anterior, mas a votação foi adiada devido a um pedido de vista da oposição. Para garantir a votação nesta quarta, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou duas sessões de votação virtuais na quinta (16) e sexta (17) da semana passada.

A oposição tentou montar um "kit obstrução" com pedidos de retirada de pauta, adiamento da votação e da discussão, mas os deputados Capitão Alberto Neto (PL-AM) e Julia Zanatta (PL-SC), autores dos pedidos, não estavam presentes na reunião. No final, a oposição fechou um acordo para votar a favor do relatório na CCJ, reservando suas forças para a comissão de mérito.

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Detalhes da proposta e posicionamentos

O texto aprovado nesta quarta não trata do conteúdo da emenda, apenas da constitucionalidade da proposta. Duas PECs estão tramitando juntas: uma do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e outra de Erica Hilton (PSOL-SP). Ambas propõem a redução da jornada semanal das atuais 44 horas para 36 horas, com a proposta de Hilton também alterando a escala para 4 dias de trabalho por três de folga.

No entanto, o governo considera esse desenho de jornada superado, defendendo a adoção de um limite de 40 horas semanais sem a fixação de um regime de escala, que deverá ser negociado entre categorias e empresariado. O relatório de Paulo Azi inclui recomendações para a comissão de mérito, como a necessidade de uma regra de progressividade ou transição, onde a redução da jornada ocorreria ao longo de alguns anos.

Contexto político e reações

Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou um projeto de lei com alterações na Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) e outras legislações, que chegou ao Congresso com urgência constitucional, exigindo tramitação expressa. Lula avisou Motta que enviaria a proposta como um gesto simbólico do governo, mas o presidente da Câmara afirmou que manteria a tramitação da PEC e não pretende indicar relator para o projeto do governo.

A expectativa dos deputados da base do governo é que Motta instale a comissão especial ainda nesta quarta (22) e que os integrantes sejam indicados pelas bancadas até o fim de abril. Desde que Motta enviou a PEC à CCJ, entidades ligadas a diversos setores iniciaram uma ofensiva contra o fim da jornada 6x1, argumentando que a mudança tornará as contratações mais caras e aumentará o custo da folha salarial.

Considerações do relator e debates futuros

No relatório encaminhado à CCJ, o deputado Paulo Azi aponta que a comissão de mérito deve considerar cautelosamente "a adoção de instrumentos mitigatórios", baseando-se em estudos de impacto financeiro e considerando os diversos setores e suas particularidades. Esse cuidado visa evitar possíveis efeitos indiretos sobre o mercado de trabalho, como alterações nos custos com impactos sobre as contas da Previdência Social.

O relator incluiu no parecer experiências de outros países em relação à compensação, com exemplos de redução na margem de lucro ou corte de impostos sobre rendimentos, para manter o poder de compra. O deputado Lucas Redecker (PSD-RS), que havia encabeçado o pedido de vista na semana anterior, disse que pretende liderar, na comissão especial, uma discussão sobre uma "compensação para quem está garantindo os empregos".

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Paulo Azi também argumentou no texto que, apesar de a negociação coletiva ser um mecanismo mais adequado e previsto na reforma trabalhista de 2017, os acordos e convenções coletivas ainda não tratam de reduções na escala de trabalho. Ele citou a assimetria de poder na relação entre capital e trabalho e a fragilidade financeira de muitos sindicatos como razões para a insuficiência da autonomia para negociar reduções de jornada.