Candidatura de Flávio Bolsonaro sob dúvida após cobrança de R$ 134 milhões
Candidatura de Flávio Bolsonaro sob dúvida

Escândalo do Banco Master abala campanha de Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência da República, enfrenta uma crise em sua campanha após a divulgação de mensagens que o ligam a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, instituição envolvida em fraudes bilionárias. Conforme revelado pelo portal The Intercept Brasil, Flávio cobrou de Vorcaro o pagamento de R$ 134 milhões (equivalentes a US$ 25 milhões) para a produção de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O montante é quatro vezes superior ao orçamento médio das produções nacionais mais caras e supera o contrato de R$ 129 milhões do Master com a banca jurídica da família do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

As mensagens e uma gravação telefônica, obtidas em investigações da Polícia Federal, indicam que Vorcaro já havia repassado R$ 61 milhões (US$ 11,5 milhões) ao senador antes de ser preso. Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que se tratava de “um filho procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai”, negando uso de dinheiro público ou da Lei Rouanet.

Produtora desmente recebimento de recursos

A Go Up Entertainment, produtora do longa-metragem intitulado “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, emitiu uma nota categórica: “A empresa afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.” Com a negativa, permanece o mistério sobre o destino dos R$ 61 milhões que Flávio teria recebido de Vorcaro, bem como a natureza do negócio entre o operador de fraudes e o candidato presidencial.

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Habilidade em negócios e transações imobiliárias

Flávio Bolsonaro é conhecido por sua habilidade em negócios. Entre 2010 e 2017, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, realizou ao menos 19 grandes transações imobiliárias em bairros nobres como Copacabana, Barra da Tijuca, Botafogo e Laranjeiras. Gastou R$ 9,4 milhões e lucrou R$ 3 milhões em 84 meses. O Ministério Público questionou a origem dos recursos, mas o senador alegou ser vítima de “perseguição” por ser filho do então presidente.

Pressão por renúncia e reações no Congresso

A transação obscura com o ex-dono do Master colocou a candidatura de Flávio Bolsonaro sob desconfiança no Partido Liberal e no Centrão. No plenário da Câmara, o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ), ex-aliado do clã Bolsonaro, criticou duramente: “Eu sou do Rio, eu já sabia que isso iria estourar em algum momento. O senador Flávio é batedor de carteira. Sabe o que eles queriam fazer? Usar o filme do pai para lavar dinheiro. Usar o filme do pai como lavanderia.” O candidato resiste à pressão para renunciar, mas uma desistência significaria abandonar o pedido do pai, que está preso e inelegível, de manter o sobrenome nas urnas de outubro.

O caso continua gerando repercussão e pode impactar as eleições presidenciais de 2026.

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