Em São Paulo, um casal de empreendedores transforma o que muitos consideram lixo em estilo e consciência ambiental. Vitor Frutuoso e Stephanie Oliveira fundaram a marca SAVE ME DESIGN, que produz óculos sustentáveis a partir de tampinhas de garrafa, resíduos de armações e outros materiais descartados. As peças passam por um processo artesanal que reaproveita resíduos e os converte em design exclusivo.
Do incômodo com o lixo ao nascimento do negócio
A ideia surgiu da inquietação com o excesso de plástico descartado no centro de São Paulo. "A gente já sentia esse incômodo com o lixo plástico que via pela cidade. Então a marca já nasceu com um propósito", conta o casal. Stephanie é designer e visagista, especializada em identidade e expressão facial, enquanto Vitor possui mais de 20 anos de experiência como técnico óptico no mercado tradicional. Foi no contato com clientes que surgiu o insight: "Muita gente dizia que estava procurando algo fora do comum. Isso me fez buscar algo novo", afirma Vitor.
Investimento inicial e desenvolvimento da marca
Para estruturar o negócio, os empreendedores participaram de um programa de aceleração e receberam um aporte inicial de R$ 45 mil, utilizado para montar um ateliê e adquirir equipamentos. Uma das matérias-primas é o acetato, feito a partir da fibra do algodão e óleos vegetais. Sobras de produção são totalmente reaproveitadas. "A indústria perde um óculos quando corta a peça. A gente não. O que sobra a gente recicla e usa novamente", explica Stephanie.
Produção artesanal e óculos sob medida
No ateliê, os óculos são produzidos seguindo a tradição do lunetier, termo para artesãos especializados em armações autorais. Cada peça é feita manualmente, permitindo personalização para cada cliente. Além dos modelos de coleção inspirados em São Paulo, a marca oferece óculos sob medida, adaptados ao formato do rosto. "A gente respeita o tamanho do nariz, a posição das têmporas e o formato do rosto. O óculos já nasce feito para aquela pessoa", diz Vitor.
Como acontecem as vendas
As vendas ocorrem principalmente em feiras de moda e design, além de atendimentos online e consultorias personalizadas. No remoto, os clientes enviam fotos para análise facial. Atualmente, o negócio fatura cerca de R$ 171 mil por ano. Para a cliente Antonia Mendes, "é um acessório que traz a personalidade para fora". O casal enfatiza a autenticidade: "Moda sai de moda, mas estilo não", afirma Vitor. Mais do que vender óculos, eles querem estimular a liberdade de expressão nas cores, formas e na maneira como cada pessoa se apresenta ao mundo.



