Anistia Internacional denuncia líderes 'predadores' como Trump, Putin e Netanyahu
ONG denuncia Trump, Putin e Netanyahu como líderes 'predadores'

Anistia Internacional alerta sobre nova ordem mundial dominada por líderes 'predadores'

A Anistia Internacional, maior organização não governamental global de direitos humanos, lançou um alerta contundente em seu relatório anual publicado nesta terça-feira, 21 de abril de 2026. O documento denuncia o surgimento de uma nova ordem mundial marcada pela atuação de líderes que a entidade classifica como "predadores", citando nominalmente os governos dos Estados Unidos, Rússia e Israel.

Lideranças que minam normas internacionais

Durante a apresentação do relatório em Londres, a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, afirmou que o mundo enfrenta "o momento mais desafiador da nossa época". Ela mencionou especificamente o presidente norte-americano Donald Trump, o presidente russo Vladimir Putin e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, acusando-os de adotar estratégias de dominação que ampliam violência, destruição e repressão em escala global.

Segundo a organização, essas lideranças estariam enfraquecendo normas internacionais consolidadas após a Segunda Guerra Mundial e substituindo a diplomacia por conflitos armados e coerção econômica. "Os predadores políticos e econômicos, e seus facilitadores, estão declarando o sistema multilateral morto não porque seja ineficiente, mas porque não está servindo à sua hegemonia e controle", declarou Callamard.

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Violências específicas denunciadas

O relatório apontou graves violações cometidas pelos governos citados:

  • Israel: "manteve seu genocídio" contra palestinos na Faixa de Gaza mesmo após o cessar-fogo de outubro de 2025
  • Estados Unidos: realizou ataques fora de seu território no Caribe e Pacífico, além de atos considerados ilegais contra Venezuela e Irã
  • Rússia: emitiu mandados de prisão contra integrantes do Tribunal Penal Internacional (TPI)
  • Irã: "massacrou manifestantes em janeiro de 2026, no que provavelmente foi a repressão desse tipo mais mortal em décadas"

Covardia das lideranças internacionais

A Anistia Internacional criticou duramente a postura de outros líderes globais, apontando "covardia" e omissão diante dessas violações, especialmente na Europa. Como exceções positivas, o relatório cita países como Espanha e Eslovênia, que classificaram publicamente a ofensiva israelense em Gaza como "genocídio".

"Os líderes mundiais têm sido muito submissos diante dos ataques ao direito internacional e ao sistema multilateral. Seu silêncio e inação são indesculpáveis. Está moralmente falido e não trará nada além de retirada, derrota e o apagamento de décadas de ganhos duramente disputados nos direitos humanos", denunciou Callamard.

Contexto continental americano

No continente americano, o relatório destacou um aumento preocupante da repressão a protestos e ataques a jornalistas e defensores de direitos humanos. Casos de uso de "força excessiva e injustificável" diante de protestos foram registrados em países como Brasil, Estados Unidos, Honduras e Peru, resultando em "violações dos direitos humanos".

Nos Estados Unidos especificamente, a ONG afirmou que 1.143 pessoas foram mortas pela polícia em 2025, com impacto desproporcional sobre a população negra, além de denunciar execuções extrajudiciais em operações antidrogas.

Chamado à resistência coletiva

A Anistia Internacional defende que governos e sociedade civil rejeitem políticas de apaziguamento e atuem coletivamente para conter o avanço desse modelo global que, segundo o relatório, ameaça direitos humanos e a estabilidade internacional. A organização apela por uma resistência organizada contra essa nova ordem que coloca em risco conquistas históricas da humanidade.

"Apaziguar os agressores é jogar lenha em um fogo que vai queimar a todos nós e queimar o futuro para as próximas gerações", finalizou a secretária-geral da organização, enfatizando a urgência de uma resposta coordenada da comunidade internacional.

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