Mulheres com deficiência em Campinas enfrentam barreiras educacionais e no mercado de trabalho
Mulheres com deficiência em Campinas enfrentam barreiras

Mulheres com deficiência em Campinas enfrentam barreiras educacionais e no mercado de trabalho

Aos 26 anos, Mayara Samora é formada em Recursos Humanos e cursa Serviço Social, mas está desempregada há cinco meses. Ela acredita que sua demissão ocorreu por falta de inclusão e paciência, refletindo um cenário preocupante para mulheres com deficiência em Campinas, São Paulo. "Nós, mulheres com deficiência, também merecemos espaço", afirma Mayara, destacando que a falta de informação gera preconceito na sociedade.

Dados alarmantes do IBGE sobre educação

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Campinas possui 34.018 mulheres com 25 anos ou mais que têm alguma deficiência. Desse total, 17.454 não completaram o ensino fundamental ou não têm instrução, representando 51,3%. Além disso, apenas 4.372 concluíram o ensino superior, evidenciando uma desigualdade educacional significativa.

Gisele Pacheco, pedagoga e fundadora do Movimento Brasileiro de Mulheres Cegas e de Baixa Visão, classifica o percentual como "assustador". Ela explica que as mulheres com deficiência enfrentam duplo desafio: capacitismo e machismo, que as tornam mais vulneráveis na sociedade. "As famílias muitas vezes veem essas mulheres como incapazes de serem produtivas, reforçando estereótipos prejudiciais", comenta Pacheco, que tem deficiência visual.

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Barreiras históricas e estruturais

Karina Maldonado, especialista em deficiência intelectual, aponta que o capacitismo—discriminação contra pessoas com deficiência—é uma barreira crucial. "Enquanto as olharmos com piedade, elas não conseguirão realizar um trabalho efetivo", analisa. Glaucia Marcondes, coordenadora do Núcleo de Estudos de População Elza Berquó da Unicamp, acrescenta que há um tabu da domesticidade feminina, associando mulheres ao ambiente doméstico e limitando suas oportunidades.

Valdireny de Mira da Silva, de 52 anos, artesã com uma doença rara chamada "ossos de vidro", relata que só completou o ensino fundamental na Educação de Jovens e Adultos devido à falta de acessibilidade. "Frequentar a escola era uma semana sim, outra não, por causa das fraturas constantes", recorda.

Desafios no mercado de trabalho e soluções

Para Mayara Samora, a solução passa pela informação e conscientização. Ela destaca que a sociedade precisa entender as capacidades das pessoas com deficiência para combater o preconceito. Gisele Pacheco lista barreiras que impedem a formação e inserção no mercado:

  • Falta de acessibilidade física, como rampas e elevadores
  • Barreiras arquitetônicas em prédios não adaptados
  • Acessibilidade atitudinal, envolvendo estereótipos
  • Escassez de materiais e preparo de profissionais

Esses obstáculos afetam especialmente as mulheres, levando muitas a desistirem dos estudos. "É crucial que governantes tenham um novo olhar sobre essa realidade e implementem políticas públicas inclusivas", cobra Pacheco.

Cenário regional e perspectivas futuras

Os dados do IBGE mostram que a situação se repete em cidades como Sumaré, Indaiatuba, Hortolândia e Americana, onde mais de 50% das mulheres com deficiência têm ensino fundamental incompleto. Marcondes observa que muitas dessas mulheres são mais velhas, acima de 35 anos, refletindo um histórico de exclusão educacional que começou a mudar nas últimas duas décadas.

Com a plataforma "Mulheres no Censo 2022", lançada em março de 2026, há esperança de que os dados sirvam de base para pesquisas e políticas públicas. Mayara Samora e outras mulheres com deficiência continuam lutando por espaço, mostrando que, com apoio adequado, podem contribuir significativamente para a sociedade.

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