Familiares de presos políticos iniciam greve de fome em Caracas por libertações
Greve de fome de familiares por presos políticos na Venezuela

Familiares de presos políticos iniciam greve de fome em Caracas por libertações

Em um ato de protesto dramático, familiares de presos políticos deitaram-se no chão durante a madrugada deste sábado (14) em frente à prisão Zona 7, em Caracas, iniciando uma greve de fome para pressionar por mais libertações. A ação ocorre após o adiamento da aprovação de uma lei de anistia no país, que promete abranger os 27 anos do chavismo e resultar na liberdade de centenas de detidos.

Protesto silencioso com máscaras e lista manuscrita

Cerca de dez mulheres, usando máscaras, deitaram em fila na entrada da Zona 7, onde familiares acampam há mais de um mês. Ao lado, deixaram uma lista com os nomes das grevistas escrita à mão, simbolizando sua demanda por respostas concretas sobre a libertação de seus entes queridos. Muitas dormiam ao amanhecer, quando haviam programado o início do protesto, com uma participante comentando anonimamente que "dormir acalma a fome".

Evelin Quiaro, 46 anos, funcionária do serviço de migração e mãe de um preso político, expressou a urgência do movimento: "Nós exigimos com isso que já se concretize e seja real a libertação de todos. É justo, é justo. Já temos muitíssimo tempo nisso". Seu filho, de 30 anos, está detido desde novembro de 2025, acusado de terrorismo, associação criminosa e financiamento ao terrorismo.

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Contexto político e libertações noturnas

O protesto surge em um momento de tensão política na Venezuela. No poder após a queda de Nicolás Maduro em 3 de janeiro em uma intervenção militar americana, a presidente interina Delcy Rodríguez propôs uma lei de anistia em 30 de janeiro, sob forte pressão de Washington. No entanto, a discussão final para sua aprovação foi adiada duas vezes devido a divergências entre deputados sobre seu alcance e o papel do Poder Judiciário.

Durante a madrugada de sábado, 17 presos políticos foram libertados das celas da Polícia Nacional na Zona 7, incluindo José Elías Torres, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela (CTV), que estava preso desde novembro sem ordem judicial. De acordo com a ONG Foro Penal, desde 8 de janeiro, 431 presos políticos obtiveram liberdade condicional, enquanto 644 permanecem na prisão.

Promessas governamentais e frustrações familiares

O presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, esteve nas imediações da Zona 7 em 6 de fevereiro, prometendo "reparar todos os erros que tenham sido cometidos" e anunciando que a lei de anistia seria aprovada pela Assembleia Nacional em 10 de fevereiro. Contudo, a aprovação foi novamente adiada para a próxima semana, levando os familiares a intensificarem suas ações.

Sachare Torrez, 23 anos, outra grevista, afirmou: "O que estamos pedindo com isso é que todos sejam libertados, como nos foi prometido". A frustração com os atrasos motivou a greve de fome, descrita por Quiaro como uma "medida drástica" necessária. Deitada e com um guarda-sol para se proteger do calor intenso, ela explicou: "Com isso é óbvio que vamos nos esgotar muito mais (...) mas já é uma medida drástica que consideramos necessária para acabar com tudo isso".

Evolução do protesto e próximos passos

O protesto representa uma escalada nas ações dos familiares, que anteriormente se acorrentaram uns aos outros em frente à entrada da prisão. A greve de fome visa aumentar a pressão sobre o governo, com a próxima sessão legislativa prevista para 19 de fevereiro, onde se espera que a lei de anistia seja finalmente debatida.

Quiaro, que comeu pela última vez depois da 1h da manhã (biscoitos com presunto), confessou: "Realmente não estamos preparadas, nunca fiz isso na vida", destacando o caráter extraordinário da medida. As grevistas permanecem firmes em sua demanda por libertações imediatas, enquanto o país aguarda os desdobramentos políticos que podem definir o futuro de centenas de detidos.

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