Família busca reparação na Justiça por morte após cirurgia de vesícula no Acre
Família busca reparação por morte após cirurgia de vesícula no Acre

Família busca reparação na Justiça por morte após cirurgia de vesícula no Acre

A família de Josélia Sousa da Silva, de 55 anos, morta em janeiro de 2022 após complicações de uma cirurgia para retirada de pedras na vesícula, em Rio Branco, enfrenta uma batalha judicial desde 2023. Eles processaram o médico Max Weber Miranda de Freitas, responsável pelo procedimento, e o Centro Médico Santa Casa, unidade onde ocorreu a cirurgia, alegando erro no atendimento e buscando reparação por omissão.

Sequência de eventos e alegações de descaso

Na época, a paciente recebeu alta hospitalar após a cirurgia. Contudo, após uma semana com dores intensas, retornou à Santa Casa, mas não foram solicitados exames e ela foi liberada novamente. A morte ocorreu no dia 29 daquele mês, no Pronto Socorro de Rio Branco, após uma nova cirurgia na qual foi retirada uma pedra de 4,6 centímetros.

A advogada da família, Larissa Golombieski, afirmou ao g1 que Josélia sofreu descaso durante o atendimento. "Estamos falando de um marido que perdeu sua esposa e de dois filhos que perderam a mãe em virtude de erro médico e da má prestação de serviços", lamentou a profissional.

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Processo judicial e dificuldades no acesso a informações

O processo segue em tramitação e, em março deste ano, foi determinada a anexação dos prontuários da mulher de dois hospitais onde a vítima foi atendida após a cirurgia: Hospital Geral Dr. Ary Rodrigues, em Senador Guiomard, cidade onde ela morava, e o Pronto-Socorro de Rio Branco.

Golombieski destacou as dificuldades enfrentadas pela família: "Por muito tempo, exigiu-se da família que demonstrasse fatos que estavam sob guarda exclusiva da parte contrária. Documentos médicos, prontuários, registros cirúrgicos — tudo inacessível a quem mais precisava saber a verdade".

Impacto familiar e fechamento do negócio

Josélia era proprietária de uma tradicional churrascaria em Senador Guiomard, estabelecimento mantido com a participação de toda a família, incluindo o esposo Reinaldo e os filhos. Após sua morte, o negócio foi fechado.

"Ela era o esteio da família, responsável por conduzir o negócio e organizar toda a dinâmica de trabalho. Após sua morte, a churrascaria, bastante conhecida no município, teve as atividades encerradas pois sem ela, já não fazia mais sentido", completou a advogada.

Alegações de infecção pós-cirurgia e defesa do médico

Conforme relato da família no processo, a vítima sentiu dores na barriga e ânsia de vômito durante meses até passar por cirurgia na Santa Casa. Após o procedimento para retirada dos cálculos, Josélia procurou o hospital na cidade onde morava, com infecção generalizada, sendo posteriormente encaminhada ao Pronto Socorro em Rio Branco, onde veio a falecer.

Apesar de a morte não ter ocorrido na Santa Casa, a defesa da família pede indenização ao médico e à unidade por danos morais. O processo tramita há mais de dois anos e ainda não foi julgado.

O advogado Tobias Meireles, que representa o médico, disse estar seguro do andamento do caso: "Apesar da perícia, que ainda será realizada, estamos tranquilos, considerando que os próprios prontuários médicos já evidenciam que não existiu qualquer conduta médica desidiosa".

Batalha prolongada por justiça

A advogada Larissa Golombieski ressaltou que o caso vai além da perda e envolve dificuldades no acesso a informações essenciais: "A morte de Josélia foi apenas o começo de uma longa batalha para sua família. Além do luto e da tragédia, vieram anos de embates judiciais para garantir algo que deveria ser elementar: o direito de acessar as provas do que aconteceu".

Ela destacou ainda o desequilíbrio entre as partes: "De um lado, uma instituição hospitalar e um profissional com pleno acesso a cada registro do que ocorreu. Do outro, uma família simples, sem qualquer condição técnica ou financeira de reconstituir sozinha o que aconteceu".

O g1 entrou em contato com o diretor da Santa Casa e aguarda retorno. A defesa do médico mantém a negação de que tenha ocorrido erro profissional.

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