Brasileira trans e com deficiência visual palestra em Harvard sobre diversidade e inclusão
Brasileira trans e com deficiência visual palestra em Harvard

Brasileira trans e com deficiência visual é destaque em conferência internacional em Harvard

Walleria Suri Zafalon, consultora de diversidade, equidade e inclusão LGBTQIAPN+ natural de Presidente Prudente (SP), está marcando presença na 12ª edição da Brazil Conference at Harvard & MIT, evento que reúne personalidades de destaque para debater temas como liderança, diversidade e inclusão nas prestigiadas universidades americanas.

Reconhecimento internacional e representatividade

Recém-formada em Direito, Walleria expressou profunda emoção ao receber o convite para participar do evento que segue até domingo (29). "Esse convite foi algo que eu jamais imaginava acontecer. O convite para ocupar um espaço de tanto prestígio acadêmico, político e social me trouxe uma sensação de muito orgulho e confiança no meu trabalho", declarou ao g1.

Devido a questões burocráticas com a emissão do visto, a ativista participará da roda de conversa de forma online, mas não menos significativa. Ela representa dois grupos sociais historicamente marginalizados: pessoas trans e pessoas com deficiência visual.

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"Meu sentimento é uma fusão de alegria, vaidade, gratidão, orgulho, privilégio e, principalmente, de grande responsabilidade", afirmou Walleria, destacando que o convite representa reconhecimento internacional de sua capacidade para dar voz a comunidades invisibilizadas.

Trajetória marcada por transições e superações

A vida de Walleria é marcada por duas transições profundas: a perda progressiva da visão, que a inseriu no universo das pessoas com deficiência, e a transição de gênero após os 30 anos. Diferentemente de muitas pessoas LGBTQIAPN+, ela contou com o apoio familiar para perseguir seus objetivos.

"Minha trajetória não é marcada por grandes conquistas. Sinto que sempre estou correndo atrás do prejuízo", reflete a ativista, que atualmente planeja ingressar no mestrado e seguir carreira acadêmica.

Um marco importante foi a conclusão do curso de Direito com seu nome social no diploma: "Saber que o nome Walleria Suri estará no meu diploma em Direito é especial demais. Porque marca minha luta para conseguir a retificação do meu registro de nascimento".

Defesa da dignidade humana e equidade

Como ativista pelos direitos humanos, Walleria também comentou sobre recentes debates políticos, incluindo a eleição da deputada federal Erika Hilton para a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher.

"Para mim não houve impacto. Uma mulher, sendo eleita por outras mulheres para representar pautas comuns a todas as mulheres. Onde está o problema? No detalhe de ser uma mulher trans e não cis?", questionou.

Para a consultora, o debate fundamental gira em torno do reconhecimento social do gênero de mulheres trans e da necessidade de superar determinismos biológicos que limitam papéis sociais.

"Só conseguiremos realmente evoluir como humanidade quando compreendermos que tanto a equidade de gênero quanto a identidade de gênero devem ser respeitadas e valorizadas como condições fundamentais da dignidade humana", finalizou Walleria, reforçando seu compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

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