Alistamento militar feminino: Santos tem 6x menos inscritas que o Rio
Alistamento militar feminino: baixa adesão em Santos

As inscrições para o segundo ano do alistamento militar feminino voluntário no Brasil começaram no dia 1º de janeiro. A novidade, instituída por decreto em agosto de 2024, abre uma nova porta de ingresso para mulheres nas Forças Armadas, mas os números do primeiro ano revelam disparidades regionais significativas.

Dados revelam baixa adesão na cidade mais feminina do país

Um levantamento baseado no Censo de 2022 mostra um cenário curioso. Santos, no litoral de São Paulo, é considerada a cidade mais feminina do Brasil, com 54,6% de sua população composta por mulheres. No entanto, a adesão ao alistamento voluntário no Exército foi proporcionalmente baixa.

Em 2025, primeiro ano da iniciativa, o Brasil registrou 33.721 inscrições de mulheres voluntárias, disputando um total de 1.465 vagas – uma média de 23 candidatas por oportunidade. Os estados com maior número de inscritas foram Rio de Janeiro, São Paulo e Amazonas.

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Em Santos, das 11.284 jovens na faixa etária elegível (entre 15 e 19 anos), apenas 41 se inscreveram, o que representa uma taxa de 0,36%. Em contraste, o Rio de Janeiro, com 183.831 mulheres nessa mesma faixa, teve 4.071 inscrições, uma taxa de 2,2%.

Proporcionalmente, a capital fluminense teve seis vezes mais alistamentos que Santos. Comparada à capital paulista, Santos teve um desempenho melhor: São Paulo registrou 805 inscrições entre 352.644 jovens (0,23%), uma taxa quase 1,6 vezes menor que a da cidade do litoral.

Histórico e presença feminina no Exército em Santos

De acordo com o Exército Brasileiro, atualmente Santos conta com 108 militares mulheres em seu quadro, incluindo oficiais ativas e aquelas que já cumpriram o período de serviço temporário. A média de idade é de 34 anos, e as profissionais atuam em funções como dentista, nutricionista, médica, enfermeira, música e auxiliar de manutenção de aviação.

Nos últimos cinco anos, 31 mulheres nascidas em Santos ingressaram na corporação. Dessas, 29 permanecem na ativa e duas já estão na reserva. A trajetória pioneira na cidade começou em novembro de 1992, quando a primeira militar santista foi incorporada como 1ª Tenente do Quadro Complementar de Oficiais, na área de Magistério-Espanhol. Ela se aposentou como Coronel em fevereiro de 2020.

Como funciona o novo alistamento voluntário

O decreto que autorizou o alistamento voluntário feminino foi publicado em 28 de agosto de 2024. Antes dessa medida, o ingresso de mulheres nas Forças Armadas era restrito a concursos públicos para cursos de formação de suboficiais e oficiais, geralmente para cargos de nível superior.

Atualmente, as Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) contam com cerca de 37 mil mulheres, o que corresponde a aproximadamente 10% de todo o efetivo. Somente no Exército, são cerca de 13 mil mulheres entre aproximadamente 213 mil militares.

Com a nova modalidade de alistamento, espera-se um aumento nas oportunidades. O recrutamento é destinado às mulheres nascidas em 2007, com incorporação prevista para começar a partir de 2026.

O serviço militar tem duração inicial de 12 meses, podendo ser prorrogado anualmente por até oito anos no máximo. As voluntárias podem desistir até o ato oficial de incorporação. Após esse momento, o serviço se torna obrigatório, seguindo o mesmo regramento aplicado aos homens.

As etapas do processo incluem alistamento (online ou presencial), seleção geral por uma Comissão das Forças Armadas e seleção complementar nos quartéis. As mulheres não terão estabilidade no serviço militar e passarão para a reserva não remunerada após o desligamento do serviço ativo.

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