Motoristas demitidos bloqueiam Terminal da Cohab em São Luís em protesto por direitos trabalhistas
Na manhã desta segunda-feira, 30 de setembro, motoristas demitidos da empresa de ônibus Expresso Rei de França, anteriormente conhecida como 1001, realizaram um bloqueio nos acessos ao Terminal de Integração da Cohab, localizado em São Luís, capital do Maranhão. O protesto tem como principal objetivo cobrar o pagamento de direitos trabalhistas que estão atrasados há meses, incluindo salários e outras verbas devidas aos funcionários.
Impacto imediato no transporte público
Com o bloqueio realizado pelos manifestantes, ônibus urbanos e semiurbanos ficaram completamente impedidos de acessar o terminal, o que resultou em um acúmulo significativo de passageiros na área externa. Usuários do transporte público relataram grandes dificuldades para seguir viagem e enfrentaram longas esperas por coletivos, gerando transtornos e desconforto para a população que depende dessas linhas diariamente.
Contexto da paralisação das empresas
O protesto ocorre após a confirmação, na semana passada, de que as empresas Expresso Rei de França e Expresso Grapiúna, que integram o Consórcio Via SL, decidiram paralisar temporariamente os serviços de ônibus em São Luís. As empresas alegam graves dificuldades financeiras devido à falta de repasses financeiros por parte da Prefeitura de São Luís.
De acordo com informações divulgadas pelo consórcio, a paralisação teve início na quarta-feira, 25 de setembro, porque os subsídios referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2025 não foram pagos integralmente pela administração municipal. Em nota oficial, o Consórcio Via SL explicou que a medida foi tomada após uma reunião realizada na garagem das empresas, motivada pela incapacidade financeira de manter os serviços sem a regularização dos subsídios devidos.
Detalhes sobre os atrasos nos pagamentos
O consórcio detalhou que o subsídio foi totalmente cancelado em outubro, enquanto os pagamentos de novembro e dezembro foram realizados apenas de forma parcial. Essa situação comprometeu seriamente as condições mínimas de trabalho e impediu o cumprimento das obrigações com os funcionários, que agora enfrentam atrasos salariais prolongados.
Além disso, o Consórcio Via SL afirmou que o impacto financeiro foi agravado por descontos sobre valores de gratuidades e operações realizadas por aplicativo. Diante da impossibilidade de manter as atividades, as empresas optaram pelo desligamento formal dos funcionários, visando reduzir prejuízos sociais e permitir que motoristas e cobradores acessem direitos como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o seguro-desemprego.
Linhas e regiões afetadas pela paralisação
Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET), o Consórcio Via SL conta com uma frota de 194 veículos, que atendem principalmente a região do Cohatrac, áreas populosas da Cidade Operária e parte da região central da capital. Com a paralisação, foram afetadas diversas localidades, incluindo:
- Alto do Turu
- Cohatrac
- Forquilha
- Ipem Turu
- Kiola
- Parque Jair
- Parque Vitória
- Pedra Caída
- Recanto Verde
- Ribeira
- Tibiri
- Vila Esperança
- Vila Isabel Cafeteira
- Vila Itamar
- Vila Lobão
Há ainda registros de paralisação em bairros como Angelim, Vila Airton Senna, Rio do Meio, Tibirizinho, Vila Buriti e Vila Aparecida, ampliando o alcance dos transtornos para a população.
Condenação judicial recente
O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) condenou recentemente a Prefeitura de São Luís e empresas do sistema de transporte público, entre elas o Consórcio Via SL, o Consórcio Central e a Viação Primor Ltda., por falhas na prestação do serviço. As irregularidades incluem atrasos constantes, superlotação dos veículos e condições inadequadas de operação.
A decisão judicial, proferida pela Vara de Interesses Difusos e Coletivos da Comarca da Ilha de São Luís, determina a adoção de medidas concretas para melhorar o funcionamento das linhas e fixa uma indenização por dano moral coletivo. A ação civil pública foi ajuizada pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA), destacando os problemas crônicos no transporte público da capital.
Aguardando posicionamentos
A TV Mirante entrou em contato com a empresa Expresso Rei de França e com a Prefeitura de São Luís para obter um posicionamento oficial sobre a situação. Até o momento, as respostas ainda não foram divulgadas, e a matéria será atualizada assim que houver novas informações.
As empresas envolvidas ressaltaram que a paralisação não representa o encerramento definitivo das atividades, sendo uma medida temporária que será mantida até que a Prefeitura de São Luís regularize os débitos pendentes. Enquanto isso, a população continua enfrentando os efeitos diretos dessa crise no transporte público.



