Clínica oftalmológica permanece interditada em Salvador após graves complicações em cirurgias de catarata
A Clínica Clivan, localizada na Avenida Garibaldi em Salvador, segue fechada há quase um mês após ser interditada pelas autoridades sanitárias. A medida foi tomada no dia 2 de março, após dezenas de pacientes relatarem complicações severas no pós-operatório de cirurgias de catarata, incluindo infecções, dores intensas e, em casos mais graves, perda completa da visão.
Crescente número de pacientes afetados preocupa autoridades
Desde as primeiras denúncias, o número de pacientes impactados aumentou significativamente. De acordo com informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) no último sábado, 28 de março, 13 pessoas perderam a visão de um dos olhos após os procedimentos realizados na clínica. A Polícia Civil já abriu investigação para apurar as denúncias de lesão corporal culposa, realizando oitivas e diligências para esclarecer todas as circunstâncias do caso.
Pacientes continuam hospitalizados sem previsão de alta
Todas as 26 pessoas que passaram pela cirurgia na mesma sala, no dia 26 de fevereiro, permanecem sob acompanhamento médico no Hospital Geral do Estado (HGE) e no Hospital Santa Luzia. Nenhuma delas tem previsão de alta médica no momento, conforme destacou a SMS. A próxima etapa do tratamento prevê o encaminhamento desses pacientes para reabilitação com uma equipe multiprofissional no Instituto dos Cegos da Bahia, incluindo apoio psicológico especializado.
Investigações sanitárias e médicas em andamento
Laudos periciais estão sendo aguardados para auxiliar nas investigações, que buscam determinar as causas exatas das complicações. O oftalmologista que teria realizado as cirurgias, em conversa telefônica com a equipe de reportagem da TV Bahia, pediu para não ser identificado e afirmou que atua no ramo desde 2013 sem nunca ter passado por situação similar. Ele mencionou a possibilidade de contaminação em algum insumo ou instrumento cirúrgico utilizado durante os procedimentos.
Posicionamento da clínica e consequências administrativas
Em nota oficial, a Clínica de Oftalmologia afirmou que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram rigorosamente seguidos, desde a avaliação pré-operatória até o acompanhamento pós-cirúrgico. A instituição destacou realizar mais de 8 mil cirurgias por ano, mantendo um histórico sólido de segurança e qualidade, classificando o episódio como pontual. Além da interdição, o contrato com a Prefeitura de Salvador também foi suspenso, ampliando as consequências administrativas do caso.
As investigações continuam em andamento, com autoridades sanitárias e policiais trabalhando para esclarecer responsabilidades e garantir que medidas preventivas sejam implementadas para evitar novos casos similares. A situação tem gerado grande preocupação na comunidade médica e entre a população de Salvador, especialmente considerando a gravidade das sequelas relatadas pelos pacientes afetados.



