Greve de rodoviários persiste em São Luís com atraso salarial e decisão judicial
Mesmo após o término da greve geral dos rodoviários dos sistemas urbano e semiurbano da Grande São Luís, os funcionários da empresa Expresso Rei de França, antiga 1001, continuam em paralisação. O motivo principal é o atraso no pagamento de salários e benefícios, além de questões relacionadas a rescisões de trabalhadores demitidos.
Contexto da greve e divisão entre sistemas
Os rodoviários, que operam nos sistemas urbano e semiurbano, iniciaram a greve no dia 23 de janeiro. Durante esse período, os trabalhadores das linhas metropolitanas, geridas pelo governo do estado, receberam os salários atrasados e retomaram as atividades no dia 26 do mesmo mês. No entanto, os funcionários do sistema urbano, administrado pela Prefeitura de São Luís, permaneceram em greve devido à falta de pagamento.
Em um ato de solidariedade, os rodoviários do semiurbano retomaram a paralisação, resultando na parada total da frota da empresa. No dia 30 de janeiro, uma paralisação geral foi realizada por outros trabalhadores do sistema de transporte da Grande Ilha, que só foi encerrada após uma determinação da Justiça do Trabalho. A decisão incluiu um aumento salarial de 5,5% para a categoria e uma reunião com o Ministério Público do Maranhão, empresários e a Prefeitura de São Luís, com garantia de pagamento dos salários atrasados.
Retorno parcial e persistência da greve
Neste sábado, 7 de fevereiro, após oito dias de greve geral, os ônibus do transporte urbano voltaram a circular em São Luís desde as primeiras horas da manhã. Contudo, as linhas operadas pela Expresso Rei de França permanecem sem funcionar, afetando passageiros que dependem desses serviços.
Os trabalhadores afirmam que só retornarão ao trabalho após receberem os salários e benefícios atrasados. Desde novembro do ano passado, os rodoviários da Expresso Rei de França realizam paralisações devido a atrasos salariais recorrentes.
Acordo judicial e prazos para pagamento
Um acordo realizado na sexta-feira, 6 de fevereiro, na sede das Promotorias de Justiça do Consumidor, determinou que os salários atrasados dos trabalhadores do sistema urbano sejam pagos integralmente até terça-feira, 10 de fevereiro. Caso o pagamento não seja efetuado, toda a categoria poderá retomar a paralisação geral na quarta-feira, 11 de fevereiro.
A greve dos rodoviários da Expresso Rei de França impacta a circulação de 15 linhas na Grande São Luís, incluindo os sistemas urbano e semiurbano. Bairros como Ipem Turu, Parque Vitória, Ribeira, Vila Isabel Cafeteira, Pedra Caída, Recanto Verde e Forquilha estão entre os afetados.
Decisões judiciais e subsídios
A Justiça do Maranhão negou um pedido do Ministério Público para aumentar o valor do subsídio pago pela Prefeitura de São Luís ao transporte coletivo urbano. Atualmente, o município paga R$ 1,35 por passageiro, e o MP solicitou um aumento para R$ 2,15 a partir de fevereiro de 2026. O juiz Douglas de Melo Martins argumentou que a concessão poderia comprometer as finanças municipais e afetar outros serviços públicos.
O Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região informou que adotará medidas de bloqueio de bens contra as empresas de ônibus do sistema urbano, devido ao descumprimento do acordo coletivo. Uma multa de R$ 200 mil será aplicada a cada empresa, e, se não houver pagamento, será direcionada aos sócios e ao Sindicato das Empresas de Transporte.
Reajuste salarial e insatisfação da categoria
O Sindicato dos Rodoviários do Maranhão encerrou a greve do transporte urbano na quinta-feira, 5 de fevereiro, após acatar uma determinação do TRT-16. A decisão aplicou um reajuste de 5,5% ao sistema urbano, similar ao concedido ao semiurbano, resultando em um aumento de aproximadamente R$ 151 no salário e R$ 49 no tíquete-alimentação. Com isso, a média salarial dos motoristas na Grande Ilha chega a cerca de R$ 2.900 brutos, além de R$ 900 no vale-alimentação.
Benefícios como plano de saúde, odontológico, seguro de vida e exames toxicológicos foram mantidos. No entanto, a categoria considera o reajuste insuficiente, citando acúmulo de funções, como a dupla tarefa devido à redução de cobradores, e atrasos recorrentes no pagamento.
Negociações e crise no transporte
Durante as negociações, não houve contraproposta da Prefeitura de São Luís ou da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes. O Sindicato das Empresas de Transporte atribui a crise à falta de aumento nos subsídios pagos pela Prefeitura, enquanto a Agência Estadual de Mobilidade Urbana afirma que acompanha o caso e aplica o reajuste do subsídio.
Os ônibus do sistema semiurbano, que atendem São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa, voltaram a circular após um acordo de reajuste de 5,5%, mas os trabalhadores realizaram protestos momentâneos, reivindicando mais benefícios e segurança.
A greve dos rodoviários da Grande São Luís começou em 30 de janeiro, com demandas iniciais por reajuste salarial de 12%, tíquete-alimentação de R$ 1.500 e inclusão de mais um dependente no plano de saúde. A situação permanece tensa, com a possibilidade de novas paralisações caso os compromissos não sejam cumpridos.