O Ibovespa iniciou o pregão desta quinta-feira, 30, em alta, recuperando parte das perdas acumuladas após seis sessões consecutivas de queda, em um mercado ainda dominado pela cautela global após a “superquarta” de política monetária, novos indicadores econômicos relevantes e a continuidade das tensões geopolíticas envolvendo Oriente Médio, petróleo e inflação internacional.
Por volta das 11h30, o principal índice da bolsa brasileira subia cerca de 1,30%, aos 187 mil pontos, enquanto o dólar comercial recuava 0,13%, negociado próximo de 4,99 reais. A sessão reflete uma combinação de alívio técnico e seletividade dos investidores após o Banco Central brasileiro reduzir a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano, mantendo, porém, discurso conservador ao destacar que o processo de flexibilização continuará condicionado à evolução inflacionária, ainda distante da meta.
Decisões de juros e dados econômicos
A decisão do Banco Central ocorreu poucas horas após o Federal Reserve manter os juros americanos entre 3,50% e 3,75%, em uma votação historicamente dividida, com quatro dissidências, o maior nível desde 1992. No ambiente doméstico, o mercado também absorve uma bateria de dados econômicos. A taxa de desemprego medida pela PNAD Contínua ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março, em linha com as expectativas, enquanto o Banco Central informou deterioração fiscal superior à prevista, com dívida bruta avançando para 80,1% do PIB e déficit primário consolidado de R$ 80,7 bilhões em março.
Além disso, o Tesouro Nacional realizou leilão tradicional de LTN e NTN-F, movimento acompanhado de perto por agentes atentos à trajetória da curva de juros. “Esse ambiente exige maior prudência, pois a incerteza sobre a guerra no Oriente Médio e seus impactos no petróleo e na inflação global ainda pesam sobre a confiança dos investidores”, afirma João Kepler, CEO da Equity Group. Segundo ele, o contexto atual mantém o custo de capital elevado e exige seletividade crescente nas decisões corporativas. “A volatilidade de curto prazo não muda o foco em crescimento sustentável, mas exige mais disciplina na gestão e no uso de recursos”, conclui.
Destaques da bolsa e cenário político
Na bolsa brasileira, a recuperação foi puxada principalmente pela Vale, que avançava cerca de 2% após a forte correção da sessão anterior, beneficiada também pela alta do minério de ferro na China. Grandes bancos como Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil operavam majoritariamente no campo positivo, sustentando o índice. Já Petrobras apresentava desempenho mais contido, refletindo a acomodação recente do petróleo após forte volatilidade nas últimas sessões.
No cenário político, investidores também monitoram a derrota do governo Lula no Senado após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, episódio que adiciona ruído institucional, embora ainda tenha impacto secundário frente às variáveis externas.
Cenário externo e balanços de tecnologia
O exterior segue sendo o principal motor de preço. Na Europa, Banco Central Europeu e Banco da Inglaterra mantiveram suas taxas de juros inalteradas, em 2% e 3,75%. A percepção é que a inflação energética decorrente da guerra no Oriente Médio continua limitando qualquer flexibilização monetária mais agressiva nas economias desenvolvidas.
Nos Estados Unidos, a prévia do PIB do primeiro trimestre mostrou expansão de 2,0%, abaixo da expectativa de 2,2%, enquanto o núcleo do PCE, indicador de inflação preferido do Fed, permaneceu pressionado, reforçando a percepção de inflação resiliente. Ao mesmo tempo, pedidos de auxílio-desemprego abaixo do esperado confirmaram um mercado de trabalho ainda robusto, combinação que sustenta dúvidas sobre cortes de juros mais rápidos.
“O que deve realmente ajudar a precificar o mercado é mais esse cenário externo, com eventualmente qualquer tipo de maior visibilidade em termos de negociação do conflito no Oriente Médio, mas também esse apetite a risco do mercado em torno das empresas de tecnologia relacionadas, principalmente, à inteligência artificial”, afirma Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue.
A temporada de balanços das gigantes de tecnologia também movimenta os mercados. A Alphabet reportou lucro de US$ 62,6 bilhões no trimestre, alta de 81%, com receita de US$ 109,9 bilhões. A Amazon registrou lucro de US$ 30,3 bilhões e receita de US$ 181,5 bilhões. A Microsoft apresentou lucro de US$ 31,8 bilhões, avanço de 23%, enquanto a Meta lucrou US$ 26,8 bilhões, com receita de US$ 56,3 bilhões, embora o aumento dos investimentos em inteligência artificial tenha gerado cautela adicional entre investidores. Apple divulga seus resultados após o fechamento.



