Topps desbanca Panini e assume figurinhas da seleção brasileira em disputa global
Topps assume figurinhas da seleção brasileira da Panini

Topps desbanca Panini e assume figurinhas da seleção brasileira em disputa global

A italiana Panini perderá os direitos de produzir álbuns de figurinhas e cards colecionáveis de algumas das principais seleções de futebol do mundo, incluindo a do Brasil. A licença foi adquirida pela Topps, controlada pelo grupo Fanatics, em um movimento que redesenha o mercado global de produtos licenciados esportivos.

Fim de uma era no Brasil

A perda da licença da Confederação Brasileira de Futebol marca uma ruptura simbólica no mercado brasileiro. A Panini construiu, ao longo de décadas, uma posição dominante no país, especialmente durante grandes torneios como a Copa do Mundo, quando seus álbuns se tornaram produtos culturais de massa.

Com o novo acordo, a Topps passa a deter o direito de explorar comercialmente elementos centrais das seleções, como:

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  • Nomes de jogadores
  • Escudos
  • Uniformes
  • Identidade visual

Esse tipo de licenciamento é uma das principais fontes de receita fora de campo para federações e empresas de mídia esportiva.

Disputa global e avanço da Fanatics

A mudança não é isolada. Ela faz parte de uma estratégia mais ampla da Fanatics de consolidar sua presença no mercado global de colecionáveis, historicamente dominado por empresas europeias como a Panini.

Nos últimos anos, a Fanatics tem investido bilhões para adquirir direitos e empresas do setor. A compra da Topps, concluída em 2022, foi um marco nesse processo, permitindo ao grupo entrar com força em mercados tradicionais de cards esportivos, especialmente nos Estados Unidos e, agora, no futebol internacional.

A disputa por licenças se intensificou à medida que o mercado de colecionáveis ganhou novo fôlego durante e após a pandemia, impulsionado por:

  1. Plataformas digitais
  2. NFTs
  3. Valorização de itens raros

Mesmo com a volatilidade recente, o segmento segue altamente lucrativo e estratégico.

Calendário escalonado e impacto gradual

Diferentemente de uma mudança imediata, os novos contratos preveem uma transição gradual. Isso permite à Panini manter sua operação por alguns anos, mas reduz sua previsibilidade de longo prazo em mercados-chave.

Segundo informações divulgadas pelo The New York Times:

  • A Topps passará a deter os direitos da seleção brasileira a partir de 2027
  • As licenças de Inglaterra e Alemanha entram em vigor em 2031
  • A da Itália passa para a empresa em 2035

O Brasil é considerado um dos mercados mais relevantes para álbuns de figurinhas no mundo, tanto pelo tamanho do público quanto pelo engajamento cultural com o produto. A perda dessa licença tende a impactar diretamente a receita e a presença da Panini na América Latina. Até o momento, a empresa italiana não se pronunciou oficialmente sobre o tema.

Mercado em transformação

A troca de licenças reflete uma transformação mais ampla no modelo de negócios do esporte. Com receitas cada vez mais diversificadas, federações e ligas têm buscado maximizar o valor de suas marcas por meio de contratos mais competitivos e globais.

Nesse contexto, grupos como a Fanatics operam com uma lógica integrada, que combina:

  • E-commerce
  • Mídia
  • Dados
  • Produtos licenciados

Um modelo mais próximo das grandes plataformas digitais do que das editoras tradicionais. A tendência, segundo analistas do setor ouvidos por veículos internacionais, é de maior consolidação e disputa por ativos premium, o que pode levar a novas mudanças de licenciamento nos próximos anos, inclusive envolvendo grandes competições e clubes.

No caso brasileiro, a entrada da Topps inaugura uma nova fase em um mercado até então associado quase exclusivamente à Panini, e coloca o país no centro de uma disputa global por fãs, dados e consumo esportivo.

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