Sócio minoritário da Ligga Telecom aciona Justiça para suspender venda e aponta irregularidades
Sócio da Ligga Telecom aciona Justiça contra venda da empresa

Sócio minoritário da Ligga Telecom aciona Justiça para suspender venda e aponta irregularidades na gestão

Agnaldo Bastos Lopes, sócio minoritário da Ligga Telecom – empresa de internet criada a partir da privatização da Copel Telecom – acionou a Justiça para solicitar a suspensão da venda da companhia. Além disso, Lopes notificou extrajudicialmente o principal acionista da empresa, Nelson Tanure, destacando supostas irregularidades na gestão e exigindo maior transparência sobre as negociações em curso.

Exclusão do processo e falta de informações

Na notificação, os advogados do sócio minoritário expressam discordância em relação à condução da negociação, afirmando que Lopes está sendo excluído do processo de venda e não tem recebido informações adequadas sobre o andamento dos tratos. O documento foi endereçado ao fundo de investimentos controlado por Tanure e à diretoria da Ligga, reforçando a demanda por clareza nas operações.

Segundo a notificação, a empresa, que apresentava superávit financeiro quando privatizada, acumula hoje uma dívida bruta de cerca de R$ 1,3 bilhão. Os representantes legais de Lopes argumentam que o sócio minoritário não foi incluído nas conversas sobre o negócio e carece de dados concretos relacionados à operação, sendo completamente ignorado em seus direitos de acionista.

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Contexto da Ligga Telecom no Paraná

No estado do Paraná, a Ligga Telecom possui aproximadamente 50 mil quilômetros de cabos na rede de fibra óptica e atende cerca de 340 mil clientes. Desse total, 35% são órgãos públicos, incluindo escolas, prefeituras e secretarias. A empresa emergiu da privatização do setor de internet da Copel, adquirida por R$ 2,39 bilhões em leilão realizado na bolsa de valores em novembro de 2020.

O comprador foi o Bordeaux Fundo de Investimento, controlado pelo empresário Nelson Tanure, que atualmente detém 95% das ações da Ligga Telecom. Em janeiro, Tanure foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) como parte de investigações sobre um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, tendo seu celular apreendido no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

Crise financeira e investimentos questionáveis

A ação judicial movida pelo sócio minoritário corre sob sigilo, mas pontos similares aos da notificação extrajudicial foram levantados. Conforme o documento, a Ligga captou R$ 1,1 bilhão em debêntures incentivadas, títulos de dívida destinados a financiar projetos de infraestrutura com benefícios fiscais. No entanto, parte significativa desses valores não foi investida na empresa ou em projetos relacionados, conforme exigido por lei.

Os advogados apontam que, apesar do endividamento bilionário gerado pelas debêntures, a Ligga Telecom enfrenta inadimplência fiscal, atrasos com fornecedores e uma relevante crise financeira. Além disso, parte dos recursos captados teria sido investida no Banco Master, do qual Tanure seria sócio oculto, segundo o Ministério Público Federal (MPF). O banco foi liquidado em novembro pelo Banco Central devido a investigações de fraudes financeiras.

Repercussões no mercado e perspectivas de venda

A opacidade de informação nos demonstrativos financeiros da Ligga levou a agência de classificação de risco Moody's a rebaixar o rating da empresa em dezembro de 2025, de BBB.br para BB-.br, com perspectiva negativa. Isso reflete preocupações sobre a capacidade da companhia de honrar compromissos financeiros, diante de uma posição de caixa reduzida e fluxo insuficiente para cobrir obrigações.

Enquanto isso, Nelson Tanure, conhecido por renegociar dívidas de empresas em crise, está em tratativas para vender a Ligga Telecom. A principal interessada seria a Brasil TecPar, em parceria com um fundo de investimentos australiano, mas a negociação pode se transformar em uma disputa judicial devido às ações do sócio minoritário.

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Evolução da empresa e riscos atuais

Quando vendida em 2020, a antiga Copel Telecom tinha cerca de R$ 280 milhões em caixa e era considerada saudável, embora com desafios de expansão. Atualmente, a Ligga Telecom opera com aumento de receita, mas registrou lucro líquido negativo em 2025 e acumula dívida bruta de R$ 1,3 bilhão, fruto de empréstimos bancários e títulos de dívida.

Na avaliação dos advogados do acionista minoritário, os números atuais colocam em risco a sobrevivência da empresa, que disputa a liderança do mercado de internet no Paraná. A notificação extrajudicial pedia a aplicação de uma cláusula do acordo de acionistas para resolver discordâncias em 30 dias, mas, na ausência de acordo, o caso agora será analisado pela juíza da 24ª Vara Empresarial de Curitiba.

Posicionamentos das partes envolvidas

Em nota, a Ligga Telecom afirmou que os temas relacionados aos acionistas devem ser tratados no âmbito societário, destacando que suas operações funcionam normalmente, com compromisso com a qualidade e atendimento ao cliente. A empresa ressaltou que suas informações são públicas, auditadas e supervisionadas por órgãos reguladores.

Por outro lado, o Banco Master preferiu não comentar sobre os investimentos da Ligga Telecom, e Nelson Tanure optou por não se pronunciar. Agnaldo Bastos Lopes também não comentou o andamento do processo, mantendo o foco nas ações judiciais e notificações extrajudiciais para buscar transparência e proteger seus direitos como acionista.