Santander traça estratégia para 2026 com foco em alta renda e enfrenta inadimplência pressionada
O Banco Santander divulgou seus resultados financeiros e projetou um cenário desafiador para 2026, com a inadimplência continuando sob pressão em setores como agronegócio, pequenas empresas e baixa renda. Em resposta, a instituição anunciou um plano estratégico focado no segmento de alta renda da pessoa física e em médias empresas, visando elevar sua rentabilidade para 20% no médio prazo.
Resultados financeiros mostram lucro, mas qualidade da carteira preocupa
No terceiro trimestre de 2025, o Santander reportou um lucro líquido de 4,08 bilhões de reais, representando uma alta de 6% em comparação com o mesmo período de 2024. No acumulado do ano, o lucro chegou a 15,6 bilhões de reais, com avanço de 12,6%. No entanto, a margem financeira contraiu 4,0% no quarto trimestre de 2025, atingindo 15,3 bilhões de reais, impactada pela sensibilidade negativa ao aumento das taxas de juros.
A rentabilidade do banco, medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido Anualizado (ROEA), ficou em 17,6%, mostrando estabilidade em relação ao trimestre anterior, mas com leve queda anual. O CFO Gustavo Alejo explicou que a margem com mercado ficou negativa em 1,48 bilhão de reais, um resultado parcialmente compensado pelo incremento na margem de clientes.
Inadimplência e provisões em alta pressionam balanço
Um dos pontos críticos do balanço foi a qualidade da carteira de crédito. As Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) alcançaram 6,1 bilhões de reais no quarto trimestre de 2025, alta de 2,9% em relação ao mesmo período de 2024. A inadimplência acima de 90 dias chegou a 3,7%, avançando 0,5 ponto percentual.
Segundo Gustavo Alejo, metade desse aumento se deve à nova norma do Conselho Monetário Nacional (CMN 4.966), que exige antecipação de perdas esperadas. A outra metade reflete deterioração no portfólio do banco, atribuída ao cenário macroeconômico com Selic elevada, que encarece o crédito e dificulta pagamentos em setores vulneráveis.
Estratégia para 2026: foco em alta renda e limpeza de carteiras
O CEO Mario Leão destacou que, mesmo com cortes de juros, a Selic deve encerrar 2026 em 12% ao ano, mantendo o crédito caro e pressionando a inadimplência. Diante disso, o banco planeja:
- Crescer dois dígitos no segmento de alta renda ao longo do ano.
- Concentrar esforços em grandes e médias empresas, consideradas mais resilientes.
- Aceitar crescimento abaixo da média do mercado em outros segmentos para priorizar qualidade.
Leão afirmou que o Santander buscará a principalidade do cliente com serviços de maior qualidade, citando que um assessor do banco atende 150 clientes, contra média de 700 na concorrência. Embora não tenha precisado metas de participação de mercado, reconheceu o desafio de competir com players consolidados como Itaú, Bradesco e Nubank.
Perspectivas e metas de rentabilidade
O banco espera um ano de transição na qualidade dos ativos, com inadimplência ainda pressionada, mas promete aumentar a participação da alta renda e médias empresas na carteira. Com uma concessão de crédito restrita e foco estratégico, o CEO Mario Leão projeta atingir uma rentabilidade (ROE) de 20% no médio prazo, reforçando a confiança na recuperação gradual dos resultados.
Em resumo, o Santander enfrenta um ambiente macroeconômico desafiador, mas aposta em uma mudança de modelo de negócio para fortalecer sua posição no mercado financeiro brasileiro.



