Economistas alertam sobre riscos fiscais do fim da escala 6×1 no Brasil
Riscos fiscais do fim da escala 6×1 alertam economistas

Alerta econômico sobre o fim da escala 6×1 gera preocupação fiscal

A discussão sobre o fim da escala 6×1, que começou nas ruas, agora se transformou em um debate macroeconômico de alto risco. A proposta, apesar de seu forte apelo popular, enfrenta um obstáculo conhecido pelos brasileiros: o perigo fiscal. Especialistas em economia alertam que qualquer mudança tributária para compensar a redução da jornada de trabalho poderia atingir diretamente a Previdência Social e um Orçamento Federal já descrito como "praticamente estrangulado".

Risco de aumento da dívida pública em ambiente de juros elevados

Em um cenário de taxas de juros persistentemente altas, qualquer perda de arrecadação tributária pode resultar em maior emissão de dívida pública — e uma dívida mais cara para o país. Este tipo de movimento tem o potencial de alimentar um ciclo de instabilidade econômica que o Brasil já conhece muito bem, segundo análises de economistas especializados.

Especialistas criticam possível improviso eleitoral

Para Josias Bento, especialista em investimentos da GT Capital, o tema não pode se transformar em um mero improviso eleitoral. "Esse assunto da escala seis por um, o governo e todo o setor produtivo não podem ficar simplesmente correndo atrás do rabo... sem resolver o problema real do Brasil", afirma o analista. Ele acredita que a proposta pode ser aprovada ainda neste ano, mas defende um planejamento cuidadoso. "Não dá para ser aprovada muito rapidamente. É preciso ter um planejamento estratégico para isso."

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Na visão de Bento, uma solução viável seria implementar a mudança em etapas progressivas, começando em 2026 e avançando até 2028, permitindo que empresas e trabalhadores se adaptem sem um choque abrupto nos custos operacionais. Esta abordagem gradual poderia mitigar os impactos negativos imediatos na economia.

Preocupação central com a baixa produtividade brasileira

A preocupação mais significativa dos economistas está na questão da produtividade nacional. O Brasil ocupa apenas a 62ª posição no ranking mundial de produtividade, um desempenho muito inferior ao de países europeus que já adotam jornadas de trabalho mais curtas. "Se colocarmos uma escala quatro por três ou cinco por dois, e as horas trabalhadas forem divididas ao longo do ano... precisamos garantir que não prejudique também a produtividade das empresas", sugere Josias Bento.

O especialista lembra que os empresários provavelmente pressionarão por reduções de impostos para ganhar fôlego financeiro e contratar mais mão de obra, mas questiona se a mudança será estrutural ou apenas uma resposta ao calendário político. "Estamos fazendo uma reforma apenas para aquele ano eleitoral... ou isso não é sustentável?", indaga Bento.

Setores específicos enfrentariam desafios significativos

Na mesma linha de análise, Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, identifica limites claros para o impacto positivo da medida. "É um desejo legítimo de consultar os trabalhadores... só que, como se conquista isso? Através de uma mudança estrutural da macroeconomia", afirma o especialista. Segundo Agostini, o Brasil tem o hábito de alterar sua estrutura fiscal pelo lado da arrecadação, não pelo corte de despesas — o que tende a agravar os desequilíbrios orçamentários.

"A aprovação até pode acontecer... mas o efeito positivo para a economia não vai ocorrer como desejado", alerta o economista. Para Agostini, considerando o elevado custo de contratação e o baixo nível de capacitação técnica no país, é difícil imaginar setores como shopping centers, farmácias e postos de gasolina funcionando fora da lógica 6×1 sem perda significativa de competitividade.

Discussão revela problema estrutural mais profundo

No fundo, a discussão sobre a jornada de trabalho revela um problema mais profundo: o país deseja trabalhar menos horas sem antes aumentar sua capacidade de produção. Esta transição exige investimentos pesados em infraestrutura, educação básica e capacitação técnica — responsabilidades que recaem tanto sobre o governo quanto sobre as empresas privadas.

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Apesar dos avanços tecnológicos e do alto retorno sobre capital no Brasil, a reciclagem profissional ainda engatinha no país. O risco, conforme alertam os economistas, é transformar uma pauta legítima em mais um capítulo de voluntarismo econômico. A conta, como sempre acontece na história econômica brasileira, chegará posteriormente, possivelmente com juros altos e consequências fiscais duradouras.

Os especialistas concordam que qualquer mudança na escala de trabalho deve vir acompanhada de reformas estruturais que fortaleçam a produtividade e a competitividade nacional, evitando que medidas bem-intencionadas se transformem em novos problemas macroeconômicos para um país que já enfrenta desafios fiscais significativos.