Polo Industrial de Manaus avança com novos projetos e desafios logísticos
A BR-319 deve ampliar significativamente a capacidade de transporte de insumos e produtos do Polo Industrial de Manaus, além de impulsionar a chegada de novas fábricas à capital amazonense. A avaliação é do superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Leopoldo Montenegro, em entrevista ao Bom Dia Amazonas nesta quarta-feira (1º). Segundo ele, a rodovia representará mais uma alternativa logística crucial para fortalecer a competitividade do modelo econômico regional.
Obras autorizadas e impacto logístico
A declaração ocorre após o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) autorizar novas obras e abrir licitação para pavimentação de trechos da BR-319, entre o Igarapé Atií e o Igarapé Realidade, no Amazonas. A liberação foi assinada na terça-feira (31), em Brasília, marcando um passo importante para a infraestrutura local.
De acordo com Montenegro, a BR-319 pode facilitar tanto a entrada de matérias-primas quanto a saída da produção industrial, diversificando os modais de transporte. "A BR-319 vem muito a contribuir com isso porque é mais um modal que tanto escoa a mercadoria para dentro da Zona Franca de Manaus quanto a saída da Zona Franca de Manaus também pode ser utilizada por meio da BR-319", destacou o superintendente.
Expansão industrial e desafios de espaço
O cenário logístico mais favorável se soma a um novo ciclo de expansão, segundo Leopoldo Montenegro. Ao todo, 38 fábricas devem ser instaladas nos próximos três anos, além de outras 195 já aprovadas recentemente. "Essas 38 fábricas que vão ser instaladas nos próximos três anos se somam a 195 fábricas que também foram aprovadas nos últimos três anos", afirmou.
No entanto, com a chegada de novas indústrias, a falta de áreas disponíveis para instalação se tornou um desafio urgente. Os distritos industriais existentes já estão praticamente ocupados. "Hoje eu diria que a gente tem um problema bom para resolver, porque é um problema que vai trazer investimentos para a Zona Franca de Manaus", disse Montenegro.
Para ampliar a capacidade, a Suframa iniciou conversas com a Prefeitura de Manaus para revisar o plano diretor e permitir a instalação de indústrias em outras áreas da cidade, buscando soluções urbanísticas.
Demanda por mão de obra qualificada
O crescimento também aumenta a necessidade de profissionais qualificados, segundo o superintendente da Suframa. Um estudo aponta que o polo vai precisar de mais de 3 mil engenheiros e 3,5 mil técnicos de nível médio nos próximos três anos. Montenegro informou que a Suframa tem buscado parcerias com instituições de ensino para incentivar a formação desses profissionais, visando suprir a demanda futura.
Faturamento recorde e projeções
O Polo Industrial de Manaus registrou faturamento recorde de R$ 227,7 bilhões em 2025, com 132.950 empregos diretos. Para 2026, a expectativa é manter o crescimento, com projeções indicando que o faturamento pode ultrapassar R$ 240 bilhões neste ano, dependendo do cenário econômico nacional e internacional.
Monitoramento e metas da gestão
A autarquia também acompanha os impactos de eventos climáticos, como seca e cheia dos rios, que afetam o transporte fluvial. Mesmo com previsão de menor impacto, empresas já antecipam a compra de insumos para evitar prejuízos. O monitoramento é feito em conjunto com órgãos de controle e com apoio de estudos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Entre as prioridades da Suframa estão a modernização dos sistemas, a regularização fundiária e a ampliação da atração de investimentos. "Se a gente tem fábricas chegando, nós temos que fazer o nosso dever de casa e oferecer a infraestrutura necessária", disse Montenegro. A autarquia também se prepara para as mudanças da reforma tributária, com expectativa de que, a partir de 2033, a Zona Franca de Manaus se consolide como principal política de incentivo fiscal do país.



