Empreendedores paraenses conquistam mercado americano com açaí e franquias
Paraenses abrem empresas nos EUA com investimento de US$ 10 mil a US$ 15 mil

Paraenses transformam sonho americano em realidade empresarial

Abrir uma empresa nos Estados Unidos deixou de ser uma aspiração distante para se tornar um objetivo concreto de empreendedores paraenses. Esses visionários enxergam no mercado americano oportunidades de crescimento que transcendem a exportação tradicional, explorando nichos promissores e consolidando presença além das fronteiras brasileiras.

Do açaí de Miami aos petshops do Brooklyn

A trajetória de sucesso paraense nos EUA se manifesta em setores diversos. De um lado, o açaí conquista paladares americanos, sendo vendido em estabelecimentos de Miami e distribuído para supermercados e açaiterias em todo o território nacional. De outro, franquias de petshop florescem no Brooklyn, bairro nova-iorquino que concentra três vezes mais cachorros do que a média da cidade.

Claudemir Ramos, contador especializado em tributação internacional com escritório em Miami, revela que o investimento inicial para empreender com segurança nos Estados Unidos varia entre US$ 10 mil e US$ 15 mil durante os primeiros doze meses. Esse montante cobre honorários de contabilidade, custos de marketing, taxas de licenciamento e capital de giro inicial.

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Pará mantém posição de destaque nas exportações brasileiras

O estado do Pará consolidou sua posição como o quinto maior exportador do Brasil em 2025, com vendas externas totalizando US$ 24,23 bilhões. Embora a pauta seja dominada por minérios, que responderam por US$ 19,74 bilhões, produtos agroindustriais como açaí, soja e carne bovina ganham relevância crescente.

Os Estados Unidos absorveram US$ 1,03 bilhão das exportações paraenses no mesmo período, registrando crescimento expressivo de 23,8% em relação ao ano anterior. O superávit comercial do Pará atingiu US$ 21,49 bilhões, mantendo o estado na terceira posição nacional em saldo comercial.

Açaí paraense conquista mercado americano com resiliência

Junior Dantas, analista de exportação de uma indústria paraense de polpas de frutas, exporta açaí para os EUA desde 2015. "Dentro da exportação da empresa, esse mercado representa 70% de toda exportação, pelos EUA ser o principal importador", afirma o especialista.

Mesmo diante do chamado "tarifaço" de Trump, que impôs tarifa adicional de 50% sobre alguns produtos brasileiros incluindo o açaí em 2025, o impacto foi controlado. "Depois que resolveu o tarifaço, acabou não sentindo tanto impacto porque se resolveu de forma não tão demorada", explica Junior.

Franquia como estratégia de entrada no mercado americano

Valéria Azevedo, empresária paraense, optou pela segurança de uma franquia consolidada ao abrir uma unidade da rede "Rapawzel Dog Groomer and Daycare" no Greenpoint, Brooklyn. "Optei por abrir uma franquia, uma empresa fundada por brasileiros, com muitos anos de mercado, marca reconhecida e validada", relata.

A empreendedora destaca que "o mercado americano valoriza muito a prestação de serviços, muito mais que o mercado brasileiro". Sua escolha estratégica eliminou obstáculos culturais e operacionais, proporcionando estrutura sólida para iniciar o negócio em terra estrangeira.

Custos e documentação para abrir empresa nos EUA

Claudemir Ramos detalha que os custos iniciais de legalização variam entre US$ 600 e US$ 3.000 na Flórida, cobrindo registro, obtenção de EIN (número de identificação fiscal) e estruturação básica. Contudo, ele alerta para os erros mais comuns cometidos por brasileiros:

  • Não procurar profissional qualificado para auxiliar no processo
  • Escolher o tipo errado de empresa (LLC, Corporation, etc.)
  • Não declarar impostos corretamente, gerando multas pesadas

O contador esclarece que "você não precisa estar aqui nos Estados Unidos. Não precisa ter visto americano" para abrir empresa, bastando passaporte e documento de identificação secundário como RG ou CNH.

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Sistema tributário americano atrai empreendedores estrangeiros

Uma das vantagens competitivas dos EUA reside no sistema tributário. "Diferente do Brasil, onde se paga sobre faturamento no Simples Nacional, aqui tributamos o lucro líquido. Você teve lucro, paga imposto. Não teve, não paga", explica Claudemir.

Essa característica significa que nos primeiros meses, quando a empresa ainda está em fase de investimento e estruturação, não há cobrança de impostos sobre receita inexistente ou prejuízos operacionais. Contudo, o especialista faz um alerta importante: "O governo é super flexível para você empreender, mas é muito exigente que você cumpra as obrigações fiscais".

Exportação exige burocracia e certificações específicas

Para quem decide exportar produtos como o açaí, Junior Dantas detalha as exigências:

  1. Registro no Brasil seguindo legislações brasileiras
  2. Obtenção do FDA (Food and Drug Administration)
  3. Documentação completa incluindo invoice, packlist e UBL
  4. Certificados adicionais conforme solicitação do cliente

O analista recomenda: "O conselho que eu daria para produtor que quer começar a exportar para os EUA é: primeiramente, contratar uma consultoria. Para quem está iniciando, é essencial".

Estratégias para reduzir riscos e maximizar oportunidades

Claudemir recomenda começar com vendas online antes de investir em local físico. "Começar o negócio primeiro com venda online e, assim que a coisa engrenar, ir para local físico. Você abre sua loja quando já tem clientela", aconselha.

Essa abordagem é especialmente válida para produtos da bioeconomia paraense, como:

  • Cosméticos naturais à base de plantas amazônicas
  • Castanha-do-pará e derivados
  • Óleos essenciais
  • Polpas de frutas regionais (cupuaçu, bacuri, taperebá)

Impacto positivo e perspectivas futuras

Valéria Azevedo desmistifica a ideia de que empreender fora representa perda para o estado. "Eu sou um pedaço do Pará aqui fora, com muito orgulho", afirma a empresária, que já planeja expandir para outros setores incluindo investimento em imóveis de leilão para hospedagens voltadas ao turismo rural e ecoturismo.

Claudemir destaca que "na cidade de Nova York, cerca de 50% de todos os pequenos negócios são de propriedade de imigrantes", evidenciando o ambiente receptivo para investidores estrangeiros. O mercado americano valoriza produtos naturais e sustentáveis da Amazônia, criando oportunidades concretas para empreendedores paraenses que desejam expandir seus horizontes além das fronteiras nacionais.