iFood acusa 99Food de espionagem corporativa em ofício enviado ao Cade
iFood acusa 99Food de espionagem corporativa ao Cade

iFood denuncia 99Food por espionagem corporativa em ofício ao Cade

O iFood enviou um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acusando a concorrente chinesa 99Food de condutas questionáveis, incluindo práticas de espionagem corporativa, ataques publicitários ilícitos e uso indevido de marcas. O documento, assinado pelo escritório Mattos Filho e encaminhado em 6 de março, descreve a estratégia de entrada e expansão da 99Food como extremamente agressiva e baseada em iniciativas muitas vezes questionáveis.

Contexto competitivo e defesa do iFood

Na peça, o iFood também se defende de questionamentos do Cade sobre possíveis violações de um acordo de 2023 relacionado a contratos de exclusividade. A empresa argumenta que a expansão da 99 demonstra que não lança mão de práticas anticoncorrenciais, citando que restaurantes que aderiram à 99 têm crescido, assim como outros aplicativos concorrentes. O iFood não impõe quaisquer barreiras ou punições a restaurantes que optam por operar em plataformas concorrentes, afirma o documento.

Resposta da 99Food e investigações anteriores

Procurada pela reportagem, a 99Food preferiu não se manifestar sobre as acusações. No passado, a empresa já havia declarado ser vítima de espionagem, com furtos de equipamento e abordagem de funcionários em redes sociais. O iFood, em nota, esclareceu que o ofício responde a questionamentos de rotina sobre o cumprimento do acordo antitruste e que as menções à 99Food visam contextualizar o cenário competitivo do setor de delivery, citando fatos noticiados pela imprensa e processos judiciais.

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Acusações do Cade e violações potenciais

Em fevereiro, o Cade, órgão antitruste vinculado ao Ministério da Justiça, enumerou práticas do iFood que poderiam configurar violações do acordo de 2023, incluindo acusações de ocultamento de bares recém-cadastrados no 99 e multas milionárias a restaurantes que romperam contratos de exclusividade. Alden Caribé de Sousa, coordenador-geral de análise antitruste do Cade, alertou que caso restem comprovadas, tais práticas podem configurar violação às obrigações assumidas no Termo de Conduta.

Mudanças no mercado de delivery brasileiro

Até meados de 2025, o iFood dominava virtualmente o mercado de delivery no Brasil, com até 93% de participação segundo estimativas. A entrada da 99Food e da Keeta, ambas de capital chinês, começou a ameaçar essa dominância, intensificando a competição no setor. O iFood enfatiza em seu ofício que o crescimento de concorrentes mostra a ausência de monopólio, reforçando sua defesa contra alegações de práticas anticoncorrenciais.

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