Governo busca equilíbrio no uso do FGTS para dívidas sem comprometer funções sociais
Governo estuda uso do FGTS para dívidas sem prejudicar funções

Governo avalia uso do FGTS para dívidas sem comprometer funções sociais, diz secretário

O governo federal está estudando a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como ferramenta para reduzir o endividamento das famílias, mas enfrenta um dilema crucial: como conciliar o alívio imediato aos trabalhadores com a preservação dos recursos que financiam políticas públicas essenciais. Segundo Regis Dudena, secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, a decisão envolve escolhas complexas em um cenário de restrições orçamentárias.

Princípio econômico guia decisões sobre recursos escassos

Em entrevista à VEJA, Dudena destacou que, na economia, quando há escassez, é necessário priorizar o destino dos recursos. “Aqui vale o princípio máximo da economia: na escassez, priorizamos o destino dos recursos”, afirmou. “Quando tenho um recurso com diversas utilidades, preciso tentar maximizar todas elas”. O secretário enfatizou que o FGTS possui uma natureza dual, servindo tanto como proteção ao trabalhador quanto como fonte de financiamento para políticas públicas, especialmente no setor habitacional.

“O FGTS tem função pessoal e social. A gente não pode olhar só para o recurso da pessoa, nem só para o fundo como funding de políticas públicas”, explicou Dudena. Ele acrescentou que o desafio é equilibrar essas dimensões sem sacrificar nenhuma delas: “Queremos que o fundo atenda o pessoal sem comprometer o social”.

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Formas de uso do FGTS em estudo para alívio de dívidas

Dentro do plano em análise, o FGTS pode ser empregado de duas maneiras principais para ajudar as famílias endividadas:

  • Como garantia em operações de crédito, particularmente no consignado privado, o que reduziria o risco para os bancos e, consequentemente, as taxas de juros cobradas aos consumidores.
  • Liberação de até 20% do saldo do público-alvo do programa para quitar dívidas diretamente, diminuindo o estoque de débitos familiares.

“O FGTS pode servir de garantia para melhorar condições de crédito. Isso gera uma diminuição dos juros”, afirmou Dudena, ressaltando o potencial de alívio financeiro.

Novo programa de renegociação de dívidas em fase de modelagem

As medidas consideradas para o FGTS fazem parte de um pacote mais amplo destinado a enfrentar o endividamento da população, em um contexto de juros elevados. O governo planeja lançar um programa de renegociação focado em dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem afirmado em entrevistas que os descontos nas dívidas podem chegar próximos de 90%. A parcela remanescente dos débitos seria paga pelo devedor com juros reduzidos, graças ao uso de fundos públicos como garantia, o que inclui possíveis mecanismos vinculados ao FGTS.

Este movimento reflete um esforço do governo para aliviar a pressão financeira sobre as famílias brasileiras, enquanto busca manter a sustentabilidade do fundo para suas funções sociais de longo prazo.

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