Fim da escala 6×1 pressiona pequenos negócios, alerta presidente do Simpi
Fim da escala 6×1 pressiona pequenos negócios, diz Simpi

Fim da escala 6×1 pressiona mais pequenos negócios, afirma presidente do Simpi

O debate nacional sobre o fim da escala 6×1 tem gerado preocupações distintas entre grandes corporações e pequenas empresas, com impactos financeiros significativamente diferentes para cada segmento. Joseph Couri, presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi) e da associação Simpi Nacional, alerta que as mudanças em discussão podem pressionar ainda mais os pequenos empreendedores, que já operam com estruturas enxutas e alta dependência de mão de obra.

Impacto financeiro desigual entre grandes e pequenas empresas

Em entrevista exclusiva, Couri destacou que a característica básica dos pequenos negócios é a realização de atividades intensivas em mão de obra, o que significa que o impacto financeiro das mudanças na jornada de trabalho é completamente diferente do que ocorre nas grandes corporações. "Em certos casos, a mão de obra chega a representar 40% do faturamento da empresa, enquanto nas grandes corporações esse índice é muito mais baixo", explicou o empresário.

Estudos apresentados ao governo federal demonstram essa disparidade:

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  • Para grandes empresas, o aumento de custo por hora trabalhada deve ficar em torno de 3%
  • Nos pequenos negócios, esse impacto pode chegar a 9% ou mais
  • Esses valores não consideram ainda a perda de horas com a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais

Demandas do setor para compensação de custos

Diante desse cenário desafiador, o Simpi tem atuado na interlocução com o poder público para buscar medidas compensatórias. "O que estamos fazendo é pedir ao governo federal uma compensação, por meio do aumento do teto de enquadramento do MEI e do Simples Nacional", afirmou Couri.

As propostas em discussão incluem:

  1. Aumento do teto do MEI para aproximadamente 143 mil reais por ano
  2. Possibilidade de contratação de duas pessoas pelo MEI, em vez de apenas uma
  3. Elevação do teto do Simples Nacional de 4,8 milhões para cerca de 8,2 milhões de reais

Essa proposta já entrou em regime de urgência no Congresso Nacional na semana passada, com o objetivo de minimizar o impacto real dos custos sobre as empresas de menor porte.

Outros desafios que pressionam a competitividade

Além das mudanças na jornada de trabalho, Joseph Couri destacou outros fatores que afetam a competitividade das pequenas empresas:

  • Alta do petróleo: Impacta diversas cadeias produtivas além dos combustíveis, como plásticos, defensivos agrícolas e exportações
  • Juros elevados: Aumentam o custo do dinheiro e restringem o acesso ao crédito
  • Instabilidade de preços: Gerada por conflitos internacionais, como a guerra no Oriente Médio

"O cenário é desafiador. Temos a redução da jornada, juros elevados, custo do dinheiro alto, restrição de crédito e outras variáveis que pressionam a competitividade e a própria sobrevivência das empresas", concluiu o presidente do Simpi.

Couri ressaltou ainda que muitos desses efeitos não aparecem no debate público porque poucas pessoas têm acesso direto à base da produção. O diferencial do sistema do Simpi, segundo ele, é o contato direto com toda a cadeia produtiva e com microempreendedores em todo o país, permitindo um acompanhamento próximo da realidade prática dessas empresas.

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