CEO do Itaú critica concorrentes por distribuição de produtos do Banco Master e Ambipar
CEO do Itaú critica bancos e corretoras no caso Master e Ambipar

CEO do Itaú faz duras críticas a concorrentes no caso do Banco Master e Ambipar

O presidente executivo do Itaú, Milton Maluhy Filho, emitiu uma crítica contundente contra bancos e corretoras que distribuíram produtos financeiros do Banco Master e da Ambipar. As declarações foram feitas durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, após questionamentos sobre o caso do Banco Master e possíveis acordos para recompor o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Acusações de priorização de interesses próprios

Maluhy Filho afirmou que algumas plataformas financeiras lucraram bilhões de reais ao colocar Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master e Certificados de Operações Estruturadas (COEs) da Ambipar em suas prateleiras de produtos. O executivo destacou que o Itaú nunca distribuiu esses instrumentos, mantendo uma postura de não colocar seus interesses acima dos dos clientes.

Na visão do CEO, os objetivos originais do FGC foram desvirtuados no episódio envolvendo o Banco Master. Ele argumenta que a responsabilidade não recai apenas sobre o próprio banco, mas também sobre as instituições que atuaram como distribuidoras desses produtos considerados problemáticos.

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Instituições mencionadas indiretamente

Embora não tenha citado nomes diretamente, as declarações de Maluhy Filho claramente se referem a importantes players do mercado financeiro brasileiro. Nubank, XP Investimentos e BTG Pactual estão entre as instituições que distribuíram CDBs do Banco Master. Além disso, a XP e o BTG também estiveram envolvidas na comercialização dos COEs da Ambipar.

Quando questionadas pela reportagem, XP Investimentos e BTG Pactual optaram por não se manifestar sobre o assunto. Já o Nubank emitiu uma nota esclarecendo que interrompeu a oferta de novos CDBs do Banco Master em 2024. A fintech reforçou que não utiliza o modelo de assessores de investimento, permitindo que clientes escolham produtos diretamente pelo aplicativo, e garantiu que todas suas operações seguem rigorosamente as normas regulatórias vigentes.

Contexto histórico do FGC e críticas ao caso Master

O CEO do Itaú lembrou que o Fundo Garantidor de Créditos foi criado na década de 1990 com o propósito fundamental de proteger investidores durante processos de liquidação bancária. Maluhy Filho considera aceitável a utilização do mecanismo quando um banco enfrenta problemas devido a modelos de negócio desatualizados ou má gestão.

Contudo, no caso específico do Banco Master, ele aponta uma distorção significativa: o FGC foi incorporado como parte do modelo de negócios para captar recursos com rentabilidade elevada, o que representa um desvio de sua função original de proteção emergencial.

Impacto financeiro e debates sobre recomposição

Durante a coletiva, o executivo revelou que o caso do Banco Master gerou uma conta impressionante de 55 bilhões de reais para o FGC. Diante desse montante, ele defende a necessidade urgente de recomposição do fundo, argumentando que é essencial transmitir confiança sobre a solidez patrimonial do mecanismo de garantia.

Maluhy Filho informou que bancos e associações do setor estão em discussões com o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional sobre o tema. O principal objetivo dessas conversas é encontrar formas de atenuar os custos, uma vez que o impacto financeiro recairá sobre a sociedade como um todo.

Tensões no modelo de financiamento do FGC

Nos bastidores do sistema financeiro, os grandes bancos defendem mudanças na forma de contribuição ao FGC. Atualmente, as instituições financeiras contribuem proporcionalmente ao tamanho de suas carteiras de crédito, o que coloca a maior parte do financiamento sob responsabilidade dos bancos de grande porte.

Paralelamente, as fintechs utilizam a existência do FGC como argumento de segurança para captar recursos de pessoas físicas através de seus CDBs. Essa mesma estratégia foi empregada pelo Banco Master, gerando desconforto entre os grandes bancos que são os principais financiadores do fundo, mas cujos concorrentes se beneficiam igualmente da garantia.

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O debate expõe tensões estruturais no sistema financeiro brasileiro, onde diferentes modelos de negócio competem enquanto compartilham mecanismos de proteção coletiva, mas com contribuições desiguais.