Presidente da Riachuelo analisa desafios econômicos do varejo brasileiro
Em entrevista exclusiva à revista VEJA Negócios, o presidente da Riachuelo, André Farber, fez uma análise contundente sobre os obstáculos que as empresas nacionais enfrentam no atual cenário econômico. Com a famosa frase "O Brasil nunca é fácil", o executivo destacou os principais pontos que dificultam a competitividade do setor varejista no país.
Estratégia ambiciosa de redução de endividamento
A Riachuelo está implementando um plano robusto para reestruturar suas finanças. A empresa pretende reduzir significativamente seu endividamento, que atualmente gira em torno de 2 bilhões de reais, para aproximadamente 700 milhões de reais. Farber explicou que, em um ambiente de juros elevados, a meta ideal é operar com dívida líquida próxima de zero.
"Isso não significa que não teremos dívida alguma, mas sim que buscaremos um equilíbrio mais saudável com nosso caixa", afirmou o presidente. Ele ressaltou que essa estratégia está diretamente vinculada ao ciclo de investimentos da companhia, que deve ultrapassar a marca de 1 bilhão de reais em 2026.
Os três grandes desafios do varejo nacional
Durante a conversa, Farber enumerou os principais obstáculos que as empresas brasileiras enfrentam:
- Juros altos: que encarecem o custo do capital e limitam os investimentos
- Incertezas fiscais e políticas: que criam um ambiente instável para o planejamento empresarial
- Concorrência desleal de varejistas asiáticos: que operam com vantagens tributárias significativas
O executivo foi enfático ao afirmar que "o que diferencia os vencedores é a visão de longo prazo", destacando que a Riachuelo continua investindo fortemente na melhoria da experiência do consumidor e no ajuste de sua proposta de valor.
A questão da desigualdade tributária
Um dos pontos mais polêmicos abordados na entrevista foi a disparidade fiscal entre varejistas nacionais e plataformas asiáticas. Farber explicou que, atualmente, quando a Riachuelo importa produtos de países como Bangladesh, paga até 90% de impostos, enquanto as concorrentes asiáticas pagam aproximadamente metade desse valor.
"É matemática pura", afirmou o presidente, acrescentando que "acredito que em algum momento a justiça será feita". Ele reconheceu que se trata de um tema impopular, mas defendeu que o governo federal está ciente da necessidade de equalizar as condições de competição no mercado varejista.
A reforma tributária recentemente aprovada resolve apenas parcialmente esse problema, segundo Farber. O executivo mantém a esperança de que medidas adicionais serão implementadas para criar um ambiente mais justo de competição entre empresas nacionais e internacionais.
Apesar dos desafios, o presidente da Riachuelo demonstrou otimismo quanto ao futuro da empresa e do setor varejista brasileiro, reforçando o compromisso com investimentos contínuos e adaptação às necessidades do mercado consumidor nacional.