Empresa brasileira de terras raras é adquirida por norte-americana em negócio bilionário
A Serra Verde, empresa brasileira especializada em terras raras, foi oficialmente adquirida pela norte-americana USA Rare Earth (USAR) em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões. O anúncio conjunto foi realizado nesta segunda-feira, 20 de março, marcando um dos maiores movimentos do setor mineral no Brasil nos últimos anos.
Operação estratégica em Minaçu, Goiás
A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, localizada no município de Minaçu, em Goiás, que representa a única mina de argilas iônicas atualmente em produção no território brasileiro desde 2024. Com esta aquisição, o controle desta importante operação mineral passa para uma empresa dos Estados Unidos, em um momento de crescente importância geopolítica destes recursos.
Os minerais extraídos nesta mina incluem terras raras pesadas consideradas críticas, como:
- Disprósio
- Térbio
- Ítrio
Estes materiais são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em diversas tecnologias avançadas:
- Veículos elétricos
- Turbinas eólicas
- Robôs e drones
- Aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência
- Semicondutores
- Setores de defesa, nuclear e aeroespacial
Contexto geopolítico e dependência da China
Atualmente, mais de 90% da produção global destes minerais estratégicos está concentrada na China, criando uma dependência que tem gerado preocupações em diversos países. Esta transação ocorre em meio a críticas públicas do presidente norte-americano Donald Trump sobre esta dependência global da produção chinesa, tema que tem gerado tensões internacionais significativas.
Segundo Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração: "Estes marcos demonstram a capacidade do Brasil de assumir papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimento de terras raras".
Detalhes do acordo e expansão planejada
O acordo inclui um contrato de fornecimento de 15 anos para abastecer uma empresa de propósito específico (SPV), financiada por agências do governo dos Estados Unidos e investidores privados. Este contrato garante 100% da produção da primeira fase com preços mínimos estabelecidos.
A USAR afirmou em comunicado que "o acordo proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis, reduzindo riscos e apoiando novos investimentos".
A produção em Goiás ainda está em fase inicial, mas existe expectativa de expansão significativa até 2030. A transação pode resultar na criação de uma das maiores empresas do setor no mundo, com operações planejadas no Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido.
Impacto operacional e reação do mercado
A operação prevê a manutenção da equipe brasileira, com dois executivos da Serra Verde integrando a diretoria da USAR: Sir Mick Davis e Thras Moraitis. As empresas destacaram que "as operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia".
O mercado reagiu positivamente ao anúncio. Por volta das 15h30, as ações da USAR na bolsa Nasdaq registravam alta superior a 8%, demonstrando confiança dos investidores nesta movimentação estratégica.
Esta aquisição representa um passo significativo na diversificação das cadeias de suprimento globais de minerais críticos, reduzindo a dependência de um único país e fortalecendo a posição do Brasil como ator relevante neste cenário geopolítico e tecnológico.



