Bitcoin enfrenta queda de 20% no primeiro trimestre de 2026 em meio a cenário global turbulento
O primeiro trimestre de 2026 apresentou um cenário de fortes contrastes no mercado financeiro brasileiro e internacional. Enquanto a Bolsa de Valores brasileira registrou uma valorização expressiva de 13,4% e o real se fortaleceu aproximadamente 5% frente ao dólar, o bitcoin sofreu uma desvalorização significativa de cerca de 20% no mesmo período.
O ambiente global marcado por conflitos geopolíticos e taxas de juros elevadas em diversas economias pesou consideravelmente sobre os ativos considerados de maior risco, categoria na qual as criptomoedas estão inseridas. Axel Blikstad, sócio da B2V Crypto, destaca que o movimento recente demonstrou "uma descorrelação interessante com outros mercados, reforçando o papel do bitcoin na diversificação de portfólio".
Três fatores principais explicam o desempenho negativo das criptomoedas
- Ajuste técnico pós-valorização: Após a forte valorização registrada em 2025, muitos investidores optaram por realizar lucros, pressionando os preços para baixo.
- Aversão global ao risco: A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã aumentou a incerteza nos mercados internacionais.
- Pressão das taxas de juros: Os juros elevados em economias centrais afetaram diversos ativos, incluindo ouro e bolsas americanas - o índice S&P 500 recuou 5,4% no trimestre.
Nesse contexto turbulento, o petróleo emergiu como o ativo de melhor desempenho, registrando alta superior a 50% após ameaças ao estratégico Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de combustíveis.
Expansão do mercado brasileiro de criptoativos
No Brasil, o interesse por criptomoedas continua em expansão, mesmo diante da volatilidade observada nos preços. O país já ocupa a quinta posição no ranking mundial de mercado de criptoativos, com aproximadamente 26 milhões de usuários, conforme dados da empresa de análise Chainalysis.
A entrada do Banco Central do Brasil na regulação do setor, ocorrida em fevereiro de 2026, trouxe maior segurança ao exigir práticas de prevenção à lavagem de dinheiro e requisitos mínimos de capital para gestoras de criptoativos. "Esse avanço regulatório é essencial para atrair investidores institucionais e consolidar o ecossistema", avalia Blikstad.
Cenário internacional e perspectivas futuras
Enquanto isso, desenvolvimentos no cenário externo podem redefinir o rumo do setor global de criptomoedas. O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, tem buscado transformar o país na "crypto capital" mundial. As expectativas giram em torno da aprovação do Clarity Act, marco regulatório que promete estabelecer regras claras para o mercado cripto e impulsionar soluções como custódia bancária e tokenização de ativos.
Para os próximos meses, a B2V Crypto mantém relativo otimismo e recomenda uma alocação de aproximadamente 5% da carteira de investimentos em criptoativos. Essa recomendação se baseia na aposta no crescimento da tecnologia subjacente aos ativos digitais, cuja evolução tende a sustentar a valorização do setor à medida que a regulação avança e o capital institucional aumenta sua presença no mercado brasileiro.
O setor de criptomoedas, portanto, enfrenta um momento de ajuste após períodos de forte valorização, mas mantém perspectivas positivas para o longo prazo, especialmente com o avanço da regulação e a consolidação de sua infraestrutura tecnológica.



