Wall Street cautelosa após JP Morgan frustrar expectativas; olha para bancos e Suprema Corte
Wall Street com pé atrás após JP Morgan e olhando para Suprema Corte

O humor dos investidores em Wall Street começou a quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, com cautela. O motivo foi a decepção com os resultados financeiros do JP Morgan, divulgados na véspera, que deixaram o mercado receoso em relação aos números que ainda serão apresentados por outros gigantes do setor.

Balanços bancários sob o microscópio

O lucro do JP Morgan ficou abaixo das projeções do mercado, uma frustração que pesou sobre a abertura dos negócios. O resultado considerado "recorrente" da instituição financeira, no entanto, superou as expectativas. A queda no lucro reportado está diretamente ligada a uma decisão estratégica: a compra da operação de cartões de crédito da Apple, que antes era administrada pelo Goldman Sachs.

Essa surpresa negativa agora coloca os holofotes sobre os próximos balanços. Bank of America, Citigroup e Wells Fargo estão programados para divulgar seus números ainda nesta quarta-feira, antes da abertura do mercado. A apreensão é de que o desempenho abaixo do esperado pelo JP Morgan possa ser um sinal para todo o setor.

Suprema Corte e indicadores econômicos nos EUA

Além do setor bancário, outro fator de tensão para os investidores é a agenda política e econômica nos Estados Unidos. A Suprema Corte dos EUA deve divulgar uma decisão crucial sobre a legalidade do uso de uma lei de emergência para travar guerras comerciais com parceiros internacionais. Esta é uma medida associada ao ex-presidente Donald Trump, e seu desfecho pode impactar as relações comerciais do país.

Ainda na agenda econômica norte-americana do dia, estão previstos importantes indicadores: o Índice de Preços ao Produtor (PPI), que mede a inflação no atacado, e as vendas no varejo, ambos referentes a novembro. Além disso, o Federal Reserve (Fed) publicará o Livro Bege, um relatório que detalha as condições econômicas em cada região dos EUA e serve de guia para as decisões de política monetária.

No entanto, com as críticas públicas de Donald Trump ao banco central americano, a expectativa do mercado é de que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas em sua próxima reunião, marcada para a quarta-feira seguinte, independentemente do que os indicadores mostrarem.

Cenário brasileiro: EWZ avança e pesquisa eleitoral aguardada

Enquanto o clima em Nova York era de cautela, o EWZ, fundo de índice que replica o desempenho das ações brasileiras negociadas em Nova York, registrava alta no pré-mercado, desviando do mau humor local.

No front doméstico, a agenda econômica era considerada morna. A atenção do mercado financeiro brasileiro, concentrado na região da Faria Lima em São Paulo, estava voltada para um evento específico: a divulgação de uma nova pesquisa de intenção de voto, realizada pelo Genial/Quaest. A expectativa era grande porque a pesquisa seria publicada exatamente às 10h, horário de abertura do pregão do Ibovespa, podendo influenciar o movimento dos papéis.

Outros dados relevantes para o Brasil no dia incluíam a divulgação, às 9h, da Pesquisa Industrial Mensal Regional de novembro pelo IBGE, e às 14h30, o fluxo cambial semanal pelo Banco Central.