Em 2025, a região Sudeste consolidou sua posição como a área com maior número de acidentes no transporte de cargas no Brasil, registrando um aumento de 12% nas ocorrências em relação ao ano anterior. Três dos quatro estados da região — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — encabeçam o ranking nacional de incidentes. O levantamento, intitulado “Mapa de Acidentes no Transporte de Cargas 2025”, foi elaborado pela nstech, maior empresa de software para supply chain da América Latina e uma das cinco maiores SaaS do Brasil.
Período mais crítico e dias de maior risco
O período da manhã manteve-se como o mais perigoso, apesar de uma leve redução em relação a 2024. Já o período da tarde apresentou crescimento de 14% nos acidentes. Quinta-feira e sexta-feira foram os dias com maior concentração de ocorrências, com altas de 7% e 14,7%, respectivamente. O Centro-Oeste também se destacou, com um aumento relevante de 14% nos acidentes, indicando uma expansão do risco para regiões emergentes.
Tipos de acidentes e cargas mais afetadas
As colisões continuam sendo o tipo de ocorrência mais comum, com crescimento superior a 5%. Os tombamentos aumentaram 9,5%, enquanto os choques, apesar de terem reduzido 7,25% em comparação com 2024, ainda ocupam o terceiro lugar. Saídas de pista, incêndios e capotagens também apresentaram crescimento, porém em menor escala. As cargas fracionadas lideram as ocorrências, com leve queda em relação ao ano anterior. O setor alimentício vem em seguida, com alta de 4%. Cargas siderúrgicas e de medicamentos também figuram entre as mais suscetíveis a acidentes.
Perfil dos motoristas e causas dos acidentes
A maior incidência de acidentes ocorreu entre motoristas de 40 a 50 anos, seguidos por profissionais com mais de 50 anos, indicando que mesmo condutores experientes estão expostos a riscos. Profissionais com vínculo agregado lideram o ranking, o que pode estar associado a menor padronização operacional e maior variabilidade na condução. As principais causas dos acidentes incluem a precariedade das rodovias, condições meteorológicas adversas e fatores humanos, como excesso de velocidade, RPM excedido, aceleração brusca em curvas, freadas bruscas, fadiga, distração, não uso do cinto de segurança, mão fora do volante, objetos soltos na cabine, uso de celular e interação com objetos.
Avanço na segurança apesar do aumento de viagens
Em 2025, houve um aumento de aproximadamente 4,7% no número de acidentes com transporte de cargas em relação a 2024. No entanto, o número de viagens monitoradas pelo ecossistema da nstech cresceu 34,8%, e o valor das cargas monitoradas avançou 19,7%. Segundo Thiago Azevedo, Diretor de Produto da nstech, “os dados mostram que as tecnologias de gerenciamento de riscos e os programas de capacitação de motoristas e prevenção de acidentes têm resultados diretos no aumento da segurança, já que, mesmo com o grande aumento no número de corridas monitoradas, o número de acidentes não acompanhou esse desenvolvimento”.
O relatório é baseado em informações das gerenciadoras BRK, Buonny e Opentech, que integram o ecossistema da nstech. A empresa destaca que a segurança nas estradas vai além da preocupação operacional, tornando-se um elemento estratégico de eficiência, competitividade e gestão de riscos no setor de transportes.



