Ibovespa abre 2026 com leve alta em pregão de baixo volume; veja destaques
Ibovespa sobe 0,18% no primeiro pregão de 2026

O primeiro pregão do ano na B3 começou com um movimento de leve alta para o principal índice da bolsa brasileira. Nesta sexta-feira, 2 de janeiro de 2026, o Ibovespa operava em alta de 0,18%, atingindo 161.409,58 pontos por volta das 11h30. O cenário foi marcado por uma agenda econômica esvaziada após o feriado de Ano Novo e um volume de negócios considerado baixo, refletindo a ainda lenta retomada das atividades do mercado.

Medidas fiscais e tensões no agronegócio movimentam o dia

Dois temas de impacto direto na economia do brasileiro ganharam destaque no início do ano. De um lado, uma medida de alívio para o bolso do trabalhador: a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais entrou em vigor na quinta-feira, 1º de janeiro. A expectativa é que a regra retire cerca de 10 milhões de contribuintes da malha fina e reduza a carga tributária para outros 5 milhões.

Por outro lado, o agronegócio enfrenta um novo desafio internacional. A China começou a aplicar uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que excederem os limites de cota estabelecidos para seus principais fornecedores, grupo que inclui o Brasil. A medida, anunciada pelo Ministério do Comércio chinês, tem vigência de três anos e visa proteger a indústria doméstica do país asiático.

Segundo Pequim, a cota global de importação para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. Analistas, como Hongzhi Xu da Beijing Orient Agribusiness Consultants, acreditam que as novas tarifas devem reduzir o volume importado no próximo ano. Apesar disso, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, minimizou o impacto, citando a abertura de 20 novos mercados para a carne brasileira nos últimos anos como um fator de proteção contra "intempéries comerciais".

A reação do mercado foi imediata: as ações da Marfrig lideravam as perdas do dia, com queda de 3,65%, cotadas a R$ 19,25.

Panorama corporativo: Natura conclui venda da Avon e Cade aprova entrada da United na Azul

O noticiário corporativo trouxe movimentos significativos envolvendo duas grandes empresas brasileiras. A Natura informou a conclusão da venda da Avon Internacional para a holding Regent no dia 31 de dezembro de 2025. A transação foi realizada pelo valor simbólico de 1 libra esterlina, um movimento estratégico para interromper as perdas financeiras geradas pela operação internacional da marca de cosméticos. Somente no primeiro semestre de 2025, a Avon drenou cerca de R$ 1 bilhão do caixa da Natura, considerando impactos cambiais.

Já a Azul recebeu luz verde do Cade para a aquisição de uma participação minoritária pela norte-americana United Airlines. A Superintendência-Geral do conselho aprovou, sem restrições, a operação, que faz parte do processo de recuperação judicial da companhia aérea brasileira nos Estados Unidos, o Chapter 11. A United deve investir aproximadamente US$ 100 milhões em ações ordinárias da Azul, elevando sua participação econômica de 2,02% para cerca de 8%.

Entretanto, a notícia foi recebida com desconfiança pelos investidores de varejo. As ações da Azul despencavam 16,39% no pregão, negociadas a R$ 1.505,00. A forte queda é atribuída à necessidade de emissão de novas ações no valor de US$ 650 milhões para viabilizar a transação, o que dilui a participação dos acionistas minoritários e pressiona o preço do papel para baixo.

Mercado mantém otimismo em meio a baixo volume

Em um dia sem indicadores econômicos relevantes, o dólar comercial recuava 0,7%, sendo cotado a R$ 5,438. O movimento positivo do câmbio, combinado com a leve alta da bolsa, sugere que o otimismo observado no final de 2025 segue influenciando os agentes financeiros no início de 2026. A expectativa por uma possível redução da taxa Selic já em março também ganha força, refletindo-se em altas como a do Pão de Açúcar, que subia 5% durante a sessão.

O cenário geral indica um mercado em modo de observação, processando as notícias corporativas e aguardando a retomada plena do calendário econômico nas próximas semanas. A "ressaca" de fim de ano, portanto, dá lugar a um cenário de cautelosa esperança para os ativos brasileiros.