Brasil lidera queda global no desmatamento e reduz perda de floresta tropical em 42%
O Brasil, que abriga cerca de dois terços da Amazônia, a maior floresta tropical do planeta, registrou em 2025 uma queda de 42% na perda de floresta primária em relação ao ano anterior. Os dados são do Global Forest Watch, plataforma do World Resources Institute (WRI) baseada em imagens de satélite da Universidade de Maryland. O resultado posiciona o país como um dos principais pontos de inflexão na tendência global de desmatamento, com desaceleração relevante após anos de pressão crescente sobre a Amazônia.
A melhora é associada ao fortalecimento das políticas ambientais e à retomada da fiscalização sob o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo com o recuo, o Brasil ainda aparece como o país com maior perda absoluta de floresta tropical primária no mundo em 2025, refletindo a dimensão do bioma e a persistência de pressões estruturais. O avanço ocorre após 2024, quando a Amazônia brasileira enfrentou uma das secas mais severas já registradas, que intensificou incêndios florestais e ampliou a vulnerabilidade da floresta.
Seca histórica de 2024 ainda influencia dinâmica da floresta
O desempenho de 2025 é interpretado à luz do ano anterior, marcado por condições climáticas extremas. A combinação de seca histórica, associada ao fenômeno El Niño e ao aquecimento anormal do Atlântico Norte, contribuiu para uma escalada de incêndios na Amazônia. Com a redução desses eventos em 2025, houve alívio parcial na pressão sobre a cobertura florestal, embora o fogo siga como um dos principais vetores de degradação no país.
Agricultura continua como principal pressão sobre a floresta
Apesar da melhora recente, a expansão agropecuária permanece como principal motor da perda de florestas no Brasil. A pecuária e a soja seguem como principais vetores de avanço sobre áreas de floresta, especialmente em regiões de fronteira agrícola na Amazônia e no Cerrado. O padrão também se repete em outros países da América do Sul, mantendo a pressão estrutural sobre os biomas tropicais.
Mundo ainda distante da meta de zerar desmatamento
Em 2021, mais de 100 países assumiram na COP26 o compromisso de deter e reverter o desmatamento até 2030. No entanto, os dados mais recentes indicam que o mundo ainda está distante dessa trajetória. Segundo o WRI, o nível atual de perda de florestas tropicais segue cerca de 70% acima do necessário para cumprir a meta global. Em 2025, o planeta perdeu cerca de 4,3 milhões de hectares de florestas úmidas primárias, área equivalente ao território da Dinamarca.
Incêndios e mudanças climáticas ampliam risco global
O Global Forest Watch aponta que incêndios têm desempenhado papel crescente na perda de cobertura vegetal. Nos trópicos, o fogo consumiu nos últimos três anos o dobro da área registrada no início dos anos 2000. Embora a maior parte dos incêndios ainda tenha origem humana, o aumento de temperaturas e a intensificação de secas prolongadas associadas às mudanças climáticas tornam as florestas mais vulneráveis e ampliam a propagação das chamas. Fora dos trópicos, o Canadá registrou 5,3 milhões de hectares queimados em 2025, enquanto a França teve o maior nível de perda florestal por incêndios já registrado.
Brasil como ponto de inflexão, mas desafio estrutural permanece
Pesquisadores destacam que o Brasil passa a ocupar posição central não apenas no problema, mas também na possibilidade de mudança de trajetória do desmatamento tropical. A queda de 42% em 2025 é vista como sinal de retomada de controle institucional, embora ainda insuficiente para alterar de forma estrutural a pressão sobre a Amazônia. A continuidade dessa tendência dependerá da capacidade de sustentar políticas de fiscalização, conciliar pressões econômicas e lidar com os impactos crescentes das mudanças climáticas sobre as florestas tropicais.



